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Sobre o novo Oriente Médio e a importância de reinventar-se

10.03.2017

Surgiu assim como tufão na virada de Saturno. Descobriu que trazia uma força indestrutível: toda a energia que se dispersava no mundo resumia-se dentro dele. Cortou os cabelos, os parceiros que não o apoiava, o emprego que o insatisfazia. Era a vida pedindo por mudanças, incentivando ao fim do ciclo. Às vezes não se espera ou projeta, porém mesmo assim ela te empurra do abismo, mas antes cochicha no ouvido: "eu te avisei" - foi aquela intuição ignorada, o déjà vu desconsiderado, a experiência esquecida, os sinais menosprezados.

 

(Re)voltado pelos espíritos livres que sempre o encantaram, aqueles selvagens desapegados que fogem da monotonia da rotina, decidiu seguir conhecendo tudo o que é diferente, para continuar aprendendo a respeitar cada vez mais. E foi em algum lugar sobrevoando o Atlântico que pensou na importância das mudanças e como elas incentivam à reinvenção, sobre como a capacidade de reinventar-se nos permite evoluir, e sobre como o amanhã é, de certa forma, a reinvenção do ontem. Seguia para o novo Oriente Médio, um pedaço de terra promissor que une a tradição à contemporaneidade, exemplo da reinvenção humana. Tal paradoxo instigava a reflexão e a viagem: em uma região desértica da arábia que é um dos berços culturais da sociedade, historicamente castigada por guerras, destruída por disputas de território, orgulho e preconceito, surgiram cidades que se tornaram epicentro da exuberância e do exagero da modernidade. Um oásis legítimo, construído.

 

Por mais projetados que sejam, os Emirados Árabes Unidos tem algo de reinvenção forçada pela adaptação. A adaptação que dá a volta por cima, aquela que agradece o sofrimento inesperado causado pelo ex, que reconhece o transtorno desnecessário gerado pelo chefe, que perde um familiar amado mas valoriza os bons momentos vivenciados, que assiste de perto a pobreza e a brutalidade de uma guerra e diz: "olha a cidade monumental que ainda pode ser construída". Da destruição, a construção. O que não mata, fortalece, como profetizou Nietzsche. Reinventar-se não é apenas necessário, e muitas vezes é uma questão de consciência, coragem e aprendizado. Aprender que o luxo só se dá a partir da simplicidade, que a história só se faz com a experiência, e que afinal, a luz só existe por causa da escuridão. Lembrou então de um trecho de um poema de Pessoa, audaz e impetuoso, e é com ele que concluiu o pensamento:

 

Quem quer passar além do bojador

 

Tem que passar além da dor

 

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

 

Mas nele é que espelhou o céu

 

SABIA QUE? Os Emirados Árabes Unidos é um país localizado no Golfo Pérsico, no Oriente Médio. É formado por uma confedereção de monarquias árabes, cada uma detendo sua soberania, chamadas emirados - que são equivalentes a principados. O país é recente, teve independência estabelecida apenas na segunda metade do século 20, em 1971, e é constituído por sete emirados: Abu Dhabi, Dubai, Ajman, Sharjah, Umm al-Quwain, Ras-Khaunah e Fujairah. Apesar de Dubai ser o emirado mais famoso e populoso, também reconhecido por ser um centro mundial dos negócios - a cidade é extremamente desenvolvida e um polo internacional, conhecida por suas largas avenidas e enormes arranha-céus -, Abu Dhabi é a capital do EAU, onde ocorrem as atividades políticas e industriais da região.

 

 

 

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