Estados Unidos: Nova York, a ilha mais cosmopolita do mundo

04.04.2017

Lá estava eu e ela, a ilha mais cosmopolita do mundo, selva de pedra feita de sonhos. Há algo de interessante no lugar onde todos sonham e poucos conseguem realizar os sonhos. Algo de podre e algo de cheiroso. Uma beleza-feia, uma feiúra-bela. Se Las Vegas é a cidade do pecado, Nova York é a cidade onde os pecados são perdoados. Depois de um tempo nessa cidade todos acabam se tornando nova-iorquinos: os latinos, os asiáticos, os europeus, os indianos, os africanos. 

 

Isso por que NY tem o real poder de mudar as pessoas. É um lugar onde todos tornam-se protagonistas e contadores de suas próprias histórias. E desde a moça da biblioteca no jardim do primário, que vocacionava tão bem as vozes das personagens dos contos de fadas, soube da capacidade poderosa dos contadores de histórias. Meu pai me reconfirmou tal energia, quando compartilhava as experiências vivenciadas nos plantões médicos da emergência. Depois vieram os livros e os filmes, é claro, que me comprovaram que não existia sonho impossível para esses narradores mentirosos tão verdadeiros. 

 

Finalmente apareceu-me Manhattan, que praticamente me implorou para contar as histórias que acontecem em suas ruas. E de uma ilha para outra, um intercâmbio que fiz para grande Maçã me proporcionou algumas das experiências mais marcantes da minha vida. Coisas de NY. Aqui no blog Mordidas na Maçã do Mundo você confere outras crônicas e curiosidades sobre a cidade que mexe com o imaginário e balança com os sentimentos da humanidade. A gente se encontra por lá algum dia, espero. Mas não esqueça de ir embora antes de endurecer demais, ou se apaixonar.

 

"Todo fardo é uma benção".

Autor desconhecido

 

SABIA QUE? Apesar de ser geograficamente pequena, Nova York é a cidade mais populosa dos EUA. Tem cerca de 8,5 milhões de habitantes. Ela tem um impacto forte sobre os comércios das finanças, arte, moda, mídia e tecnologia, sendo considerada por muitos a capital cultural do mundo. Pesquisas apontam que cerca de 700 idiomas são falados em seu território, que recebe mais de 50 milhões de visitantes anualmente. Foi fundada em 1624 por colonos neerlandeses como ponto de comércio, e tem lugares internacionalmente conhecidos como o Times Square e a Wall Street. A língua oficial é o inglês e tem um clima continental úmido, com as quatro estações do ano bem definidas.

 

VOCÊ PRECISA CONHECER:

 

Midtown – é a região dos arranha-céus das grandes corporações e hotéis mais famosos. Por ser o centro de Manhattan é uma área mais comercial, e conhecida como o coração da cidade. É a área dos fantásticos musicais da Broadway, do Times Square e seus telões lisérgicos, do Empire State Building e sua visão panorâmica privilegiada, da Grand Central e seu fluxo de diversas nacionalidades, e o Rockefeller Center, que vêm a ser o topo do mundo. É nessa área que NY vive e acontece, tudo em um fator proporcional 24h.

 

East Village – é um grande mix de tribos, referência para boêmios da cidade por ter bons bares e aconchegantes pubs. Os restaurantes são mais tranqüilos, o que não quer dizer que não sejam gostosos. Nada de gravata e maleta por essa área para se sentira mais à vontade. Tudo em um estilo “sossegado”.

 

West Village – também é conhecido como Greenwich Village, e é talvez a área mais chique da cidade, reduto de personalidades famosas. Tem destaque justamente pela moradia, onde aqueles antigos e charmosos prédios foram conservados, e alguns outros poucos transformados em lofts. É onde fica localizada a sede central da NYU e também a Washington Square Park, local famoso para a história de NY, e já foi uma das áreas centrais da cidade em certa época.

 

Upper East Side – ao visitar esse bairro prepare sua mente ou seu cartão de crédito se você considera-se um playboy ou uma patricinha, porque é nesta área que ficam localizadas as lojas das grandes grifes e as famosas Bloomingdales e a Barneys. É por lá que também estão localizados os apartamentos mais caros de NY, visto a referencia de seus freqüentadores. E a arquitetura dessas moradias são bem bacanas.

Upper West Side – Esse lado é freqüentado por moradores bem descolados, diferente de seu oposto. É um bairro bem tranqüilo, onde tem lojas bacanas e cafeterias confortáveis, mas por sua áurea alternativa senti falta de um cenário de arte maior, mas pelo menos têm o famoso Lincoln Center para salvar.

 

Soho – SOuth of HOuston, esse bairro é referência se você procura lojas de roupas descoladas – pode-se observar facilmente fashionistas andando nas calçadas. Também têm aqueles lofts incríveis que agente assiste nos filmes, a maioria ainda são para moradia (caríssimos) mas alguns foram transformados em galerias de arte. Pessoalmente é um dos meus bairros prediletos.

 

Noho – NOrth of HOuston é um bairro referência para o Downtown lifestyle de NY, é bem agitado e conta com moradores engravatados mas também com jovens bem modernos. Lojas fashions e pequenas galerias de arte também estão por lá.

 

Tribeca – o TRIangle BElow CAnal tem esse nome porque as ruas e avenidas do bairro moldam um triângulo, e é aonde os artistas que moravam no Soho foram refugiar-se quando este tornou-se um bairro chique de compras e ricos moradores de lofts. É uma área residencial bem interessante, com muitos antigos prédios tombados. Se você der sorte e for para grande Maçã na primavera, passe pelo Tribeca Film Festival, festival de cinema coordenado por DeNiro em que novos ares da produção audiovisual são apresentados.

 

Nomad – nova área localizada ao norte de Manhattan, onde ainda as lojas âncoras e novos restaurantes estão abrindo. É uma área que promete ser a nova “muvuca” da cidade.

 

Financial District – também localizado no extremo norte, como diz o nome é o distrito financeiro da grande Maçã: sedes da prefeitura e é claro a Wall Street. Aproveite para visitar a famosa estátua da Liberdade e o touro que (dizem) representa a ferocidade econômica do centro financeiro quando for para essa área.

 

Meatpacking District – o MePa era a região dos antigos açougues que abasteciam a cidade, por isso leva esse nome. Atualmente sobraram uns dois ou três, pois a maioria dos açougues foram substituídos por lojas de grifes e outras sem grife porém tão charmosas quanto. Também é uma área de moradia e tem uma arquitetura interessante. Aproveite para visitar o High Line quando for lá, antiga linha de trêm que hoje foi reurbanizada e tornou-se um ponto de encontro bem interessante dos nova-iorquinos.

 

Chinatown e Litlle Italy – como diz o próprio nome, é a concentração de asiáticos e italianos da cidade. Um bairro é do lado do outro, por isso durante três ruas eles chegam a se fundir. Chinatown é uma pequena loucura, com restaurantes que também vendem frutos peculiares nas calçadas, lojinhas com muita bugiganga(cuidado com a falsificação!) e um templo budista surreal. Litlle Italy já é mais alegoria, somente com restaurantes italianos e um museu de cultura ítalo-americana.

 

Nolita – parte norte da Litle Italy, reduto de jovens descolados. Vale à pena conhecer, mas não perca muito tempo por lá.

 

Chelsea – é a área moderninha da cidade, onde a população gay vive em grande peso e por tal exigência o bairro possui boas galerias de arte, bons restaurantes e boas lojas pra compras.

 

Harlem – é o bairro localizado no extremo norte de Manhattan, onde a cultura negra é extremamente efervescente. Há interessantes museus sobre o assunto e onde encontra-se os melhores shows de jazz da cidade.

 

Brooklyn e Queens – são bairros fora de Manhattan mas com certeza fazem parte da ilha. A cena hype lá é extremamente forte, e talvez sejam nestes bairros onde há mais moradores nova-iorquinos moderninhos. Quando passar pela famosa Brooklyn Bridge e for pra lá, não deixe de conhecer: Williamsburg (bem descolado), Dumbo (bem chique) e o Greenpoint (bem longe!).

 

Bronx – é um outro reduto da cultura negra em NY, e como é um bairro bem simples não há nada tão interessante de se conhecer por lá, na minha opinião. Não aventure-se nessa área durante a noite, por que pode ser perigoso graças a violência. Vá durante o dia e aproveite para conhecer o Zoológico do Bronx, que conta com animais de diversas e inusitadas espécies.

 

Museu Metropolitan – o Met conta com uma coleção extremamente extensa de diferentes culturas. Podemos ver arte desde a origem e um pouco da atual arte desse multiculturalismo que é o mundo. Reserve o dia inteiro para esse museu, porque é grande demais e vale à pena conhecer cada canto. Destaque para as alas da era medieval e da cultura egípcia.

 

MoMA– é o museu de arte moderna de NY e conta com uma extensa coleção de impressionistas e expressionistas (a segunda maior do mundo se não me engano, só perdendo para o Louvre de Paris). A arte moderna centraliza-se na norte-americana e é extremamente variada, com quadros, esculturas e outras intervenções. Não deixe de visitar esse museu se você for para a grande Maçã, foi sem dúvida uma das melhores experiências da minha vida.

 

Museu de História Natural – sabe aquele museu de NY que vemos nos filmes com esqueletos de dinossauros e esculturas de diferentes animais? É este. Destaque para a coleção de minerais e da ciência humana. Reserve o dia para conhecer este museu também por que é bem extenso mas vale à pena conhecê-lo inteiramente.

 

Gugenheim – possui uma coleção pequena dos impressionistas mas bastante arte moderna, principalmente asiática. Dentre os principais museus da cidade, achei o acervo mais fraco de todos eles. Mas vale à pena conhecer pela estrutura arquitetônica, que é surreal.

 

Museu da Imagem em Movimento – parada obrigatória para qualquer um que gosta de filmes, esse museu conta com um extenso acervo que vão desde croquis, maquetes, figurinos e roteiros, todos originais de vários clássicos. Se você é cinéfilo como eu, prepare seu coração.

 

Restaurantes

Como bom nova-iorquino você não pode deixar de comer nos food carts localizados em todas as esquinas da cidade. Aconselho um beagle para o café da manhã, um cachorro-quente e pretzel para o almoço, e talvez um falafel ou gyro para o jantar. Só não tente fazer esse roteiro gastronômico em um só dia, ou seu estômago com certeza vai gritar por socorro. Não deixe de provar também a pizza, elas são vendidas por pedaços e têm um preço bem acessível, e desde engravatados a pedintes comem as tais famosas. A Litlle Italy têm bons restaurantes italianos e se caso a saudade do Brasil apertar, dê uma passada pela Litlle Brazil Street, que conta com alguns restaurantes brasileiros. A Restaurant Street, localizada em Midtown, também tem ótimas opções que cabem em diferentes orçamentos. Não deixe de comer as panquecas em algum Dinner, há vários espalhados pela cidade. Para chás e cafés aconselho naturalmente a Starbucks e o Dean e Delluca, ambos fortes referências da grande Maçã. Para padarias vá na Magnólia Bakery (são duas sedes, e prove o lendário cupcake) e a Junior`s Cheesecake (são três sedes, mas a principal é localizada na Broadway e esta é bem antiga e tradicional, aproveite para passar lá quando for em algum show da Broadway – fica localizada numa rua transversal bem fácil de encontrar. Peça um cheesecake porque eles são conhecidos por produzirem variados e deliciosos sabores desse tipo de bolo). Enfim, quanto as comidas na grande Maçã, uma palavra: aventure-se!

 

Casas noturnas e Shows

Caso você procure um bom som eletrônico eu aconselho a Cielo, lá também tem muita gente querendo fazer amizade e beijar na boca. Caso procure uma balada com pessoas de nacionalidades do mundo inteiro vá até a Lavo, mas coloque a sua melhor roupa e fragrância porque as pessoas lá são exigentes (mas vale à pena se você quer falar três diferentes idiomas em uma só noite). Os pubs do Meatpacking District e do East Village são muito bons e tem quase sempre um bom show de rock acontecendo (procure na internet o dia para não dar bola fora). A 40/40 é a casa noturna a qual o rapper Jay-Z é dono, e é parada obrigatória se você gosta de hip-hop (são duas sedes, uma em Manhattan e outra no Brooklyn, mas eu aconselho a de Manhattan). Caso você esteja procurando uma boa visão da cidade vá na Roof Top 230, que tem dois andares: o primeiro é todo de vidro e é aonde toca o DJ e ficam os bares, e o segundo é literalmente no último andar descoberto, onde você tem uma visão incrível da cidade (não se preocupe com o frio caso vá no inverno, eles distribuem robes vermelhos que já fazem parte da identidade da casa noturna). Caso você queira ir em algum show de grande porte vá no Madison Square Garden, até porque todos os grandes shows acontecem lá e a estrutura do local é excepcional. E finalmente se você gosta de filmes e quer batizar-se como bom nova-iorquino vá ao show de jazz do Woody Allen no The Carlyle, dentro do Rosewood Hotel – é bem exclusivo mas acredite, vale à pena o investimento. Ah, e não se esqueça de reservar dinheiro para gorjeta quando for em todos esses lugares, na grande Maçã é obrigatório molhar a mão dos atendentes caso você queira ser bem atendido.

 

Jogos

O beisebol e o basquete são paixões nacionais para os norte-americanos e talvez ainda maior para os nova-iorquinos. Caso você visite a cidade no inverno vá assistir um jogo dos Knicks no Madison Square Garden (complexo onde ocorre os shows e jogos de basquete), é um show à parte. Caso vá no verão ou alguma meia-estação eu aconselho um jogo de beisebol dos Yankees ou dos Mets, no New Yankee Stadium, que também é outro show à parte. Os sentidos das ruas e avenidas da grande Maçã é muito fácil de se entender e provavelmente você só precisará de um mapa nos primeiros dias de estadia por lá. O sentido do metro é tão fácil quanto (Uptown sobe e Downtown desce). As avenidas são todas numeradas e as ruas mais famosas os moradores conhecem os nomes, por isso não tenha medo de perguntar informação para alguém, provavelmente quem lhe der a orientação já esteve no seu lugar algum dia. Eu, por exemplo, já estava dando informação antes de ir embora!

E não esqueça de patinar no gelo caso você visite a grande Maçã no inverno, são três as principais pistas: uma localizada no Central Park (na verdade são duas, pertencentes a mesma franquia), outra localizada ao pé do Rockfeller Center (essa é a menor e mais turista) e uma terceira localizada no Bryan Park (na minha opinião, a mais legal e também a mais barata). Aproveite e dê um pulo na Biblioteca Pública de NY quando for nesta última, fica bem ao lado da pista e é vergonhoso não conhecer caso você tenha passado pela grande Maçã. Caso você vá no verão ou em outra meia-estação, vá correr no Central Park (como bom corredor eu fui no inverno sem problemas, até por que pela movimentação creio que nenhum nova-iorquino deixa de praticar atividade física por causa do frio).

 

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