Itália: sob o sol da Toscana em Florença e Siena

Frederico Fellini afirmou que a mentira é muito mais interessante do que a verdade. Friedrich Nietzsche disse que as convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras. A asseveração do cineasta reforça a subjetividade da afirmação do filósofo: a verdade não é absoluta - é complicado ter certeza de algo, e mais complicado ainda pensar sobre tal espiral. Entre o russo e o italiano, ele ficou com o segundo.

Então lá estava ele na Itália, cumprindo a crença em um dos seus diretores mais adorados, com um bando de estranhos que durante aquelas semanas tornaram-se tão íntimos dele. Foi conhecer a Toscana, uma das maiores regiões italianas em território e número de habitantes. Mais especificamente Siena e Florença - ou para os italianos, Firenze -, a capital da Toscana.

Considerada por muitos o despertar artístico e cultural do século 15, Florença é uma cidade onde diferentes costumes itálicos se misturam. Berço do Renascimento e maior município da região da Toscana na Itália, também foi terra de grandes escritores, como Dante e Maquiavel, e de artistas como Da Vinci, Botticelli, Michelangelo e Donatello – obras desses renascentistas tornaram, inclusive, o município uma das principais capitais artísticas do mundo. Firenze também estava entre os lugares que mais sintetizam a herança cultural europeia: a arquitetura da cidade respirava o antigo, o medieval e o clássico. E talvez por essa relação, ele descobriu que a ruína também era o caminho para transformação: encontrou o passado e se reconheceu no presente.

Durante pelo menos três séculos, do começo do 15 ao 18, Florença foi governada pela família Médici, conhecida por ser grande patrona da arte clássica e um dos clãs de maior poder político da história da Europa. Para os apreciadores das belas artes, a capital da Toscana era deleite: a maioria das pinturas e esculturas renascentistas estava no maior museu da Itália, a Galleria Uffizi, localizado no Centro Histórico da cidade, que também abriga a primeira escola do mundo dessa vertente artística.

E não era só a visão que havia se tornado mais apurada, aquela cidade provocava outros sentidos tão quanto. Românticos e saborosos, os restaurantes de Florença eram uma atração à parte – as trattorias, osterias e cantinas, espalhadas por praticamente todas as esquinas, enchiam as ruas de aromas que atiçam o paladar de qualquer apreciador da boa gastronomia.

A capital da Toscana também era terra da mistura, por suas ruelas escutava diferentes línguas e sotaques. Já o trânsito, que parecia tão ameaçador para os pedestres devido às estreitas ruas, enganava pelas aparências: os motoristas eram corteses, e as placas indicativas não permitiam que ninguém se perdesse, a não ser em si mesmo. Ainda que reservados, os florentinos também eram gentis, talvez por a cidade ser a mais turística da Itália junto de Roma – curiosamente, Florença nasceu como colônia romana em 59 a.C.

Apesar de conservar a arquitetura característica, com igrejas e palácios milenares e casarões com cúpulas ornamentais, aquela cidade italiana era cosmopolita graças a seu povo e comércio – Florença manteve a essência da sua elegante proposta estética e ainda assim soube modernizar-se na medida certa, com lojas e restaurantes. Fosse para apreciar uma das melhores gastronomias do mundo ou para contemplar o berço das belas artes, aquele pedaço da Itália agradava a todos, e ele sentiu que fazia parte do conjunto. Tanto Frederico quanto Friedrich estavam certos: a arte existe para que a verdade não nos destrua, e Florença estava lá para comprovar isso. E não importa com que companhia estivesse, ou ainda melhor, se estivesse sozinho. Depois da Toscana ele nunca mais foi o mesmo.

"Por que a todos é dado ver, mas a poucos é dado perceber".

Nicolau Maquiavel

SABIA QUE? A Toscana é composta por dez províncias, cada uma com suas dezenas de comunas, que são como bairros pequeninos. São elas: Florença, Siena, Arezzo, Grosseto, Livorno, Luca, Massa-Carrara, Pisa, Pistoia e Prato. A sua geografia apresenta uma forma triangular e abrange quase 23 mil metros quadrados. É uma das regiões mais adoradas da Itália e tem uma gastronomia única, com produção de azeites, vinhos e queijos artesanais, além de paisagens peculiares compostas por vinhedos, castelos e pequenos burgos medievais. Também tem em seu litoral praias badaladas como a Forte dei Marmi e a Pietrasanta. A língua oficial é o italiano, que apresenta as suas variações dependendo da província da região.

VOCÊ PRECISA CONHECER:

Museu Galeria Uffizi - construído em 1560 para abrigar os escritórios dos magistrados da cidade, a galeria Uffizi tornou-se com o tempo o abrigo das obras de arte da família Médici, maior clã patrono da arte renascentista. Hoje, o museu é o maior da Itália e é dividido em cerca de 50 salas, com esculturas da Roma antiga e obras-primas como a pintura “O Nascimento de Vênus”, de Botticelli.

Pizza della Signoria - é a praça central de Florença, sede do poder civil e coração da vida social da cidade. Com lojas e restaurantes espalhados pelos cantos, também é possível apreciar a arte romana no espaço, com belas esculturas da Roma Antiga.

Duomo e Batistério - a Catedral de Santa Maria delFiore é chamada de Duomo de Florença e reconhecida por sua magistral cúpula redonda. Construída em cerca de 1296, a igreja tem 153 metros de comprimento por 90 de largura e pode abrigar até 30 mil pessoas, com pinturas clássicas em suas paredes e teto. Logo em frente do Duomo encontra-se o Batistério, o prédio mais antigo da cidade, construído como parte de uma muralha que protegia Florença – as portas de bronze do prédio retratam cenas do Novo Testamento da Bíblia.

Ponte Vecchio - construída ainda na época da Roma Antiga e feita originalmente de madeira, a Ponte Vecchio (Ponte Velha) é uma ponte em arco medieval localizada na área central da cidade. Antes local de açougueiros e feirantes, a ponte tornou-se espaço atual de joalherias e ourivesarias, a razão também pela qual tornou-se famosa mundialmente. Símbolo de resistência, chegou a ser destruída pelas históricas enchentes de 1333 e foi reconstruída em 1345. Também foi a única ponte da Itália não destruída pelos alemães na 2a Guerra Mundial.

Vinícolas - vale a pena visitar uma vinícola, são dezenas espalhadas pela região da Toscana, que tem tradição milenar no plantio de uvas para produção vinífera

Castelo Di Ama - é uma vinícola que conta com mais de dez obras de arte contemporânea de artistas reconhecidos, cada um de uma nacionalidade diferente.

Praça e Catedral de Siena - Siena é reconhecida por seu patrimônio artístico e pelo estilo do seu centro histórico, tombado pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) como Patrimônio da Humanidade. A sua praça em formato de meia lua é incrível, e sua catedral centenária é um exemplo exímio da arquitetura gótica italiana.

Montalcino e Gaiole In Chianti - ambas comunas de Siena, tem uma arquitetura medieval particular, com feiras locais e praças centenárias. Também contam com vinhedos e dão o nome para alguns dos vinhos mais saborosos e marcantes do mundo.

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