França: sobre Paris e outros amores

Já parou pra pensar por que os contos de fadas e as estórias infantis terminam sempre com um casamento? Isso porque ninguém conta como é difícil estar casado e como manter uma relação amorosa de longa data, pouco fala-se sobre o depois do felizes para sempre.

Uma história de amor é repleta de microfalências. Pequenas falências: aquelas coisas que todo casal deixa morrer, que um abre mão em si para felicidade do outro. Às vezes é apenas o sabor de café da preferência de um ou o tempero quase insuportável para o outro mas que mesmo assim entra para o cardápio diário de ambos. Outras vezes são aquelas chaves que irritantemente insistem em serem deixadas sobre a mesa de jantar ou aquelas cuecas usadas espalhadas pelos cômodos da casa, ou aquelas calcinhas penduradas no box do banheiro. Conviver com o seu amor é exercer a arte de ceder, dizia a minha avó. Mas o que ela não sabia é que se uma história de amor é repleta de microfalências e anulações, logo uma história de amor é também uma história de violência.

As pessoas crescem aprendendo a lidar com as diferenças em um casamento. Para isso, é necessário sensibilidade, paciência e comprometimento. E sexo, é claro. Eu já conheci alguns tipos diferentes de casais. Os meus pais, por exemplo, foram casados 33 anos. Parte desses, infelizes. Os pais do meu então melhor amigo, que pareciam ser o casal perfeito (mentira, por que não existe casal perfeito), se divorciaram depois de 30 anos de casamento. Esses poucos exemplos fizeram-me aprender que na verdade não existe fórmula para o sucesso no amor. Minha avó estava errada. E vejam bem, elas quase nunca estão erradas.

Então lá estávamos nós em Paris, na cidade do amor, em plena lua de mel, buscando recuperar o equilíbrio que talvez houvesse sido perdido com o tempo. Esquecemos, porém, que muitas vezes perder o equilíbrio por amor faz parte de uma vida equilibrada. E sentíamos isso de corpo inteiro, o vermelho. Paris tem algo de certeiro por ser um lugar onde se bebe vinho como água e se come caramujos como antepasto, em uma capital que parece ser tão intencionalmente bem iluminada para esconder a própria escuridão. A Cidade Luz, aquela que aponta para seus visitantes talvez se esquecendo de olhar para si.

Paris não é uma festa, é uma cidade em um coma provinciano com ares charmosos de decadência burguesa. E quanto charme há em suas ruelas centenárias pulsantes. Charme que se torna paixão e se transforma em romantismo. Seja por sua torre quase onipresente, por suas igrejas históricas ou pelos bares em esquinas delirantes e inesquecíveis.

E mesmo não estando mais juntos, nós sempre teremos Paris. Ou é Paris que sempre nos terá?

"Amar não é aceitar tudo. Aliás, onde tudo é aceito, desconfio que há falta de amor".

Vladimir Maiakóvski

SABIA QUE? Além de capital, Paris é a cidade mais populosa da França, com cerca de 2,3 milhões de habitantes. No século 17, tornou-se a maior potência política europeia, além de epicentro cultural e centro mundial do ensino das artes, sendo reconhecida por tal até os dias atuais. Atualmente a cidade é um dos destinos turísticos mais visitados do mundo, é uma cidade histórica e extremamente antiga, registros apontam que seus primeiros habitantes viveram no local há mais 4 mil anos a.C. Já mais tarde, a capital da França foi apelidada de “Cidade Luz” por que foi um dos primeiros lugares do mundo a adotar a iluminação de rua como medida para conter a explosão da criminalidade. Já a primeira linha de metrô de Paris foi inaugurada em 1900 e até hoje ela ainda possui um dos sistemas metroviários mais utilizados do planeta. A língua nacional do país é o francês e a moeda é o euro.

VOCÊ PRECISA CONHECER:

Torre Eiffel - ícone internacional da França e uma das estruturas arquitetônicas mais reconhecidas do mundo, a torre treliça de ferro foi inaugurada em 1889 e nomeada em homenagem ao seu projetista, o engenheiro Gustave Eiffel, que inclusive tinha um apartamento secreto em cima da estrutura que tem 324 metros de altura. A torre também tornou-se o monumento pago mais visitado do mundo.

Catedral de Notre Dame - com construção iniciada em 1163 e finalizada em 1395, é uma das catedrais mais antigas de Paris e tem uma arquitetura gótica peculiar. Também tornou-se famosa graças à literatura, principalmente pela obra escrita por Victor Hugo, "O Corcunda de Notre Dame".

Museu do Louvre - localizado no Palácio do Louvre, é um dos maiores museus do planeta, com um acervo imenso que perpassa obras do antigo Egito, da civilização greco-romana e de grandes artistas europeus como Rembrandt, Michelangelo, Goya e Da Vinci. É o museu mais visitado do mundo e existe desde 1793.

Centro Georges Pompidou - fundado em 1777, o complexo é integrado pela Biblioteca Pública Nacional e o Museu Nacional de Arte Moderna, além de outros espaços voltados pra música. É o espaço de arte contemporânea da cidade, reconhecido também por sua arquitetura ousada composta por tubulações aparentes, canos expostos pintados de diferentes cores.

Arco do Triunfo - monumento construído em homenagem às vitórias de Napoleão Bonaparte, erguido por ordens do mesmo. Tem cerca de 50 metros de altura e foi finalizado em 1836 - nele foram gravados nomes de mais de 120 batalhas e 500 generais. Fica localizado no fim da avenida Champs-Élysées.

Montmartre - é um dos bairros mais boêmios de Paris, fica localizado em uma colina e também é onde está a basílica de Sacré-Couer, ou basílica do Sagrado Coração, monumento extremamente visitado e reconhecido por suas quatro cúpulas.

Jardim de Luxemburgo - o maior parque público de Paris, com mais de 225 mil metros quadrados, decorado com belas estátuas e pequenos lagos. É onde também fica sediado o Palácio de Luxemburgo.

Champs-Élysées - considerada uma das avenidas mais elegantes do mundo, a via é reconhecida por seus cinemas, cafés e lojas luxuosas. É também uma das vias com imóveis mais caros da Europa.

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