Brasil: sobre discurso, estética e as belezas de Florianópolis, a cidade mais turística do Sul do pa

Plutão emerge na sequência para avisar que Marte vai entrar em um ciclo cósmico de quaresma contraditório, satisfatoriamente refrescado por um autoatendimento espiritual pagão oferecido pelas areias quentes das praias das ilhas do Sul. A Ilha onde nasci tem seus encantos, lendas e belezas particulares, talvez descendentes de seus filhos vindos da terra e do mar, criados por feiticeiras do tempo, gaivotas emergentes e sereias que compartilham segredos apenas com aqueles que estão dispostos à escutá-los.

Além dos conterrâneos, Florianópolis tem tudo o que uma capital promete para seduzir forasteiros, e decerto por isso segue recebendo cada vez mais aventureiros que vem à cidade durante as estações mais quentes e que decidem ficar para morar ou ao menos tentar fazê-lo, veranistas que tornam-se residentes temporários. É alto e melódico o canto das sereias com suas mentiras sinceras e meias verdades.

Cada bairro da capital catarinense tem seu microcosmo, independência, cultura e estilo, e essa dinâmica é o que torna tudo tão tácito. O Centro pulsante, os arredores e suas peculiaridades, a movimentada Lagoa, o badalado agito das praias do Norte, a tranquilidade serena das praias do Sul.

Porém como nem toda beleza real é para todos, logo o clima esfria e o verão vai embora, e junto com suas idas e vindas a estação leva e traz consigo uma nova safra de pessoas, personalidades e possibilidades que mantêm o tal movimento mágico que transforma a cidade em um suposto paraíso promissor, em um lugar interessante e cobiçado para se viver.

Essa disparidade entre cobiça e simplicidade que perpetua o estilo de vida de seus moradores e incentiva a uma especulação imobiliária urbana que promete arrancar aos poucos as belezas naturais da Ilha; esse paradoxo entre parecer, ser e perceber as práticas sociais provincianas, talvez herdadas da pequeneza dos costumes de um povo simplório ou das síndromes maldosas daqueles vindos de outras capitais, transformam a autenticidade dessa cidade que é corrompida e comercializada até se tornar uma paródia de si mesma, e acabam também tornando o local um pouco desolador para alguns que logo vão embora porque revoltam-se com a falsa calmaria e tranquilidade cacofônica de seus ares. Aquilo que muito parece, pouco é.

Seja qual for a forma de manifestação do seu discurso ou de sua estética, seja por suas belas mulheres e homens, pelas festas, pela gastronomia, praias e natureza, Florianópolis ainda é transformadora e autêntica, e faz com os que vivem nela ou a conhecem não sejam os mesmos. E os mais atentos lembram-se de um dos segredos fundamentais contados pelas sereias: é bom preocupar-se na medida certa, para não esquecer de curtir a jornada enquanto está fazendo os planos. Afinal, qual a graça do encontro sem a procura?

Mas nada disso importa, ainda é verão. O cheiro do sal do oceano limpa minhas narinas e pulmões como um naufrágio interno que faz eu me sentir pleno e feliz. Escuto cada respiração enquanto as ondas evaporam e formam o mormaço e a maresia, mistura essa que logo se transformará naquela chuva típica da estação. Passageira, fugaz, forte e talvez necessária. Espero a bonança, mas sem antes deixar de tomar um banho nas gotas que prometem cair do céu.

As coisas mais importantes são as mais difíceis de dizer, e às vezes, ainda mais difíceis de escrever. Garanto que Florianópolis vai ser uma viagem inesquecível. Só não esqueça de levar o seu lixo para fora quando for embora, certo?

"A paz do coração é o paraíso dos homens".

Platão

SABIA QUE? Capital de Santa Catarina, estado localizado no Sul do Brasil, Florianópolis é uma ilha com cerca de 500 mil habitantes e é a cidade mais turística e visitada da região do país, principalmente no verão, quando o número de sua população chega a triplicar. A maioria de seus moradores vive na região continental e em partes do Centro e Norte do município que antigamente era chamado de Desterro. A Ilha de Santa Catarina também tem um dos melhores índices de qualidade de vida do território brasileiro, o que faz com que a cidade siga em constante crescimento, se destacando também, por exemplo, como polo tecnológico. Fundada em 1673, Florianópolis foi colonizada pelos portugueses e tem cerca de 100 praias e pelo menos outras 20 pequenas ilhas ao seu redor, o que a torna também um ponto turístico internacional por suas belezas naturais e uma cidade propícia para práticas de esportes ao ar livre. Com uma forte cultura local voltada para o folclore açoriano, culinária dedicada aos frutos do mar e uma arquitetura colonial proeminente, a capital também tem bairros históricos bem conservados como Santo Antônio de Lisboa e Ribeirão da Ilha, onde ainda é possível observar casarões tombados e ranchos de pesca, atividade que ainda é bem praticada e já foi uma das principais para economia regional. Apesar da cortesia também ser considerada moeda de troca por alguns manezinhos da Ilha, como carinhosamente são chamados os nativos da cidade, a moeda é evidentemente o Real, como no resto do país. E prepare-se para um sotaque puxado na língua, por que o mané gosta de transformar o português e falar rapidinho, rapidinho.

VOCÊ PRECISA CONHECER:

Centro histórico - como o Centro da cidade é abrangente, vale a pena focar nas partes fundamentais, como o Mercado Público Municipal, a Praça 15, o Palácio Cruz e Sousa, a Catedral Metropolitana, o Teatro Álvaro de Carvalho, a avenida Felipe Schmidt, a Casa da Alfândega, a avenida Beira Mar, a ponte Hercílio Luz e o mirante do Morro da Cruz, se você procura uma visão panorâmica da cidade. O Centro de Floripa tem uma boa infraestrutura e conta com dezenas de supermercados, restaurantes, bares e opções de lazer para os notívagos. Se você busca contato mais direto com a cultura, vale também conhecer os espaços expositivos de arte dessa região, como a Galeria Pedro Paulo Vecchi, o espaço do Badesc, a Galeria Helena Fretta, o museu Victor Meirelles, o Mesc (Museu da Escola Catarinense) e os espaços e museus do CIC (Centro Integrado de Cultura).

Norte da Ilha - são dezenas de praias, dentre as principais Cacupé, que tem praias pequeninas, Santo Antônio de Lisboa, que tem um centro histórico e uma saborosa via gastronômica, Jurerê Internacional com seus famosos beach clubs em que há sempre um sunset bacana acontecendo, a Praia do Forte, a Praia da Daniela, a Lagoinha do Norte, a Praia Brava, o Costão do Santinho, a Praia do Moçambique (a mais extensa da cidade), Canasvieiras e Ingleses, sendo esse último o segundo bairro mais populoso da cidade.

Sul da Ilha - também são diversas praias dentre as principais o Campeche, que conta com sua reconhecida paradisíaca Ilha do Campeche, o Matadeiro, a Armação, o Ribeirão da Ilha e seu charmoso centro histórico e via gastronômica, o arrebatador Morro das Pedras, a Lagoa do Peri, o Pântano do Sul, os Açores, a Praia da Solidão e Naufragados. A região Sul apresenta praias diferentes da região Norte, além de o movimento de pessoas ser menor, o mar do Sul é mais de costão, a água é mais gelada e a areia mais grossa - por isso os surfistas costumam preferir também as praias dessa área, como as da região Leste.

Bairro Trindade e Santa Mônica - são bairros que ainda ficam na região central da capital porém mais familiares e voltados aos estudantes graças à UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina). Vale a pena pelas opções gastronômicas ou para curtir um agito mais jovem. A dica nessa região se você busca contato com a natureza é fazer a trilha para a cachoeira do Poção, no bairro Córrego Grande, que fica próximo e tem fácil acesso.

Lagoa da Conceição - localizada quase ao centro geográfico da Ilha, é um dos pontos mais tradicionais da cidade e é propícia para esportes náuticos, passeios e apreciação de gastronomia tradicional local. Além de ser um dos bairros históricos, tem uma praça central que costuma ser bem movimentada no verão, principalmente a avenida das Rendeiras que também é caminho para as agitadas Praia Mole e Praia da Joaquina. Também tem suas regiões charmosas aos arredores, como o Canto da Lagoa, a Barra da Lagoa, o Canal e a Costa, com diversos restaurantes locais tradicionais.

Leste da Ilha - a Praia Mole, uma das mais conhecidas e badaladas da cidade, fica nessa região. Ao seu lado também fica a Praia da Galheta, a única nudista da cidade. Para quem procura sol, areia, mar e gente bonita também tem que conhecer a Joaquina, uma das praias prediletas dos surfistas que também tem inclusive dunas paradisíacas para quem curte praticar sandboard. Próximo à região Leste também fica o cinematográfico Parque do Rio Vermelho, um dos mais extensos da Ilha.

Região continental - também chamado de Continente, essa região abrange diversos bairros entre os principais Coqueiros, que tem uma agradável orla, Itaguaçu, Bom Abrigo, Jardim Atlântico, Capoeiras e Estreito. O bairro Coloninha, mais simples, é casa de duas grandes paixões locais, a Escola de Samba Unidos da Coloninha e o Figueirense Futebol Clube, que junto do Avaí Futebol Clube forma a principal dupla de times oficiais do esporte na cidade.

Grande Florianópolis - a região metropolitana de Florianópolis reúne mais de 20 municípios em torno da capital, esses que também tem seus atrativos turísticos e encantos naturais. Se você vai visitar a cidade com mais tempo, vale a pena conhecê-los, principalmente São José, Palhoça, Biguaçu, Santo Amaro da Imperatriz com suas águas termais, Governador Celso Ramos com as espetaculares Praia de Ganchos e Ilha do Anhatomirim, e a região rural de Antonio Carlos.

Restaurantes, bares e casas noturnas - pra quem quer uma balada eletrônica e não se importa com poses a mais há os beach clubs badalados do Norte: o Donna, a Milk, o 300 Cosmo Club, o Cafe de La Musique, o P12 Parador, onde costuma ocorrer shows, a Posh (que só abre no alto verão) e por fim, o Stage Music Park, complexo que reúne algumas casas noturnas, inclusive essa última, além de ser onde acontecem os shows de grande porte. No Centro, há o The Roof (aqui é bacana se você procura também um bom drinque), a Fields, que é dedicada ao sertanejo, o Talyesin e o Célula, ambos direcionados ao rock, o Bar a Antiquário Tralharia, que reúne além de artigos antigos algumas figuras interessantes, e os botecos da avenida Hercílio Luz, da Travessa Stodieck e de seus arredores, como o Canto do Noel e o Gato Mamado. Já as casas noturnas da região são o 1007, o Treze, o Jivago, o Blues Velvet e o Cabaret, onde atualmente estão sediadas as festas da produtora CAOS. O agito jovial também segue pelos bares e botecos próximos à UFSC, como o Container, o Meu Escritório, o Centro Social da Cerveja, o Midnight, entre outros, que estão sempre movimentados, inclusive durante os dias da semana. E a Lagoa da Conceição também tem suas opções noturnas com a Casa De Noca pra quem busca um som mais alternativo e o Black Swan ou o John Bull Pub para os que curtem rock. Para aqueles que gostam de comer bem (quem não?) a dica é conhecer a variedade oferecida nas vias gastronômicas de Florianópolis, como a via de Coqueiros na região continental, a avenida Beira Mar, que também tem diversos bares e restaurantes, a avenida Madre Benvenuta no bairro Santa Monica, a via do Ribeirão da Ilha no Sul e a de Santo Antonio de Lisboa no Norte. No Sul também é possível encontrar mais restaurantes onde os frutos do mar são os cargos-chefes - invista nos localizados no Campeche e Pântano do Sul para apreciar uma gastronomia tipicamente nativa, principalmente o restaurante Arantes, que tem os típicos bilhetinhos dos clientes turistas do mundo espalhados pelas paredes.

Trilhas - são dezenas delas, e para quem curte aprecia-las vale fazer uma pesquisa mais aprofundada de acordo com a proposta que procura. Porém as mais tradicionais e reconhecidas são: a trilha da Lagoinha do Leste, que leva à uma linda praia e lagoa, em meio à mata nativa selvagem, tem dificuldade alta e pode ser iniciada pela Praia do Matadeiro ou pelo Pântano do Sul; a trilha da Praia do Saquinho e de Naufragados, que pode ser iniciada pela Praia da Solidão ou pelo Ribeirão da Ilha e tem nível de dificuldade médio; a trilha do Morro da Aranha, que também tem nível médio de dificuldade porém é localizada no Norte e é percorrida em meio a paisagem das dunas do Costão do Santinho; a trilha da Praia do Gravatá, que é de nível fácil de acesso e fica à caminho da Praia Mole; e por fim, a trilha da Costa da Lagoa, trajetória de dificuldade média que pode ser percorrida ou pelo próprio Canto da Lagoa pra quem busca um trajeto mais plano, ou pelo bairro Ratones para quem procura um caminho mais íngreme. Já em torno da Ilha, em Palhoça, há também a trilha do Morro do Cambirela, a mais conhecida da região, que é bem íngreme e mais difícil de ser percorrida, porém proporciona uma visão panorâmica única e privilegiada da cidade.

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