Chile: Santiago e a fórmula do acaso – ou como solucionar um problema

Ele tem um problema.

Ele tem um problema porque sabe que as mentiras mais convincentes são aquelas que conta a ele mesmo. Ele tem um problema porque aprendeu a lidar com as ligações não retornadas, com os cafés desmarcados, com as distâncias, com os afastamentos, com os excessos, com os impulsos, com as expectativas, com os amores não correspondidos e com a superficialidade e fluidez das relações afetivas contemporâneas. Ele tem um problema porque sabe que tem uma alta habilidade cognitiva de autoenganação que o permite lidar com a frustração.

Ele tem um problema porque não gosta de covardia e dificilmente fica calado quando a presencia - e ele sabe que isso lhe causa tantos outros problemas mas não se importa tanto como deveria.

Ele tem um problema porque é um sonhador. E porque crê que os sonhos são baseados no ego e entende que o ego é um tanto trapaceiro. Afinal, ele também tem um problema porque é vaidoso, e reconhece a pequeneza de sua vaidade originada em seu suposto orgulho intelectual.

Aliás, ele tem um problema quando a questão é fazer amigos porque quando realmente teve problemas eram poucos os amigos que estavam lá para ajudá-lo. Ele tem um problema porque descobriu que as aparências são mitomaníacas e reconhece que a maioria ainda julga por estereótipos.

Ele tem um problema porque acredita na mudança do mundo e compreende, inclusive, que tal mudança também parte dele - e porque crê que somente com a mudança é que há evolução. Sabe, ele tem esse problema com a inquietude e a contradição, é um problema porque ele acredita com convicção que pode mudar de opinião sem problemas.

A propósito, ele também tem um problema porque entende que a informação e o conhecimento têm o poder de mudar opiniões e quebrar preconceitos, e porque reconhece que a diferença entre o ignorante e o estúpido é que o ignorante pode aprender.

Ele tem um problema porque é alto demais, porque seu corpo não cabe nas coisas, porque é um pouco desastrado, porque é muito sincero, porque gosta de comédias românticas e de todos os estilos musicais, porque nunca foi bom em esportes coletivos, porque nunca leu Hilda Hilst e detesta Hemingway, e porque sente que foi precoce por ter vivido algumas experiências antes da hora até compreender que as vivenciou na hora certa. Ele tem um problema porque gosta de jogar e sabe blefar.

Ele tem um problema porque aprendeu a acreditar muito em si mesmo. E junto desse problema veio o problema que alguns confundem com o problema da arrogância, mas ele aprendeu a lidar com esse problema com humildade e empatia.

Ele tem um problema porque gosta muito de conhecer novos sabores e lugares, e evidentemente isso já o colocou em outros problemas. Porque está sempre querendo aprender algo e ter contato com novas pessoas, porque nunca trabalhou mais de três anos na mesma empresa, porque tem sete árvores prediletas no mundo.

Ele tem um problema porque acredita que viajar é conhecer o novo e somente conhecendo o novo é que se pode provocar a mudança. Ele tem um problema porque viaja demais. Viaja nas conversas com o padeiro, com o palhaço do semáforo da esquina, com os amores que moram em outras cidades e continentes.

Ele tem um problema porque acredita que há algo de bom na maldade, porque crê que somente os que arriscam são os que ganham, e porque tem certeza que só caem aqueles que voam. Ele tem um problema porque foi educado de uma forma liberal que o ensinou a procurar o aprendizado na dubiedade e no equívoco.

Ele tem um problema porque aprendeu a sorrir demais. E porque entendeu que o sorrir mata o temor, e que as pessoas que temem a morte também têm medo da vida. Ele tem um problema porque aprendeu a não ter medo.

Ele tem um problema porque sabe que é o tipo de homem impossível de ser esquecido, mas difícil de ser lembrado. E ele tem um problema ainda maior porque não sabe que muda o mundo seja por onde passa.

Com o tempo, ele vai perceber que seus problemas também são suas próprias soluções. Afinal, a diferença entre o veneno e o remédio é a medida.

"Preocupe-se mais com a sua consciência do que com sua reputação. Porque sua consciência é o que você é e a sua reputação é o que os outros pensam de você. E o que os outros pensam, é problema deles".

John Wooden

SABIA QUE? Capital do Chile, país latino com cerca de 17 milhões de habitantes, Santiago é uma cidade com uma cultura artística pulsante e a mais populosa da nação chilena, com cerca de 6 milhões de residentes se contabilizado toda sua região metropolitana. Também é o maior e mais desenvolvido centro urbano, financeiro e administrativo do país. Fundada oficialmente em 1541 por Pedro de Valdivia e colonizada por índios e espanhóis, a capital chilena é norteada pelo reconhecido Rio Mapocho, além da Cordilheira dos Andes, conjunto de montanhas com mais de 7.500 quilômetros de extensão que atravessa outros seis países da América do Sul - Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia e Argentina. Também chamada de Santiago do Chile, a cidade é ponto turístico principalmente na estação de inverno nos meses de junho, julho e agosto, por atingir baixas temperaturas que provocam a neve e incentivam milhares de pessoas à visitarem algumas estações de esqui em torno da região da capital, que além de reunir sedes de diversas multinacionais, é também responsável por cerca de 45% do PIB (Produto Interno Bruto) do país que tem como principais pilares da economia a extração do cobre, a pesca industrial, a indústria manufatureira e a prestação de serviços que inclui os mercados da construção civil e do turismo. Com diversos museus, palácios, parques, mirantes, intensa vida noturna, e até mesmo algumas vinícolas em seu entorno, Santiago também tem uma arquitetura charmosa que mistura diferentes estilos que vão desde o modernismo ao neoclássico. A mobilidade urbana da cidade é bem versátil com centenas de táxis, um metrô funcional com cinco linhas e 110 estações, além dos ônibus, que já não são tão funcionais e baratos. O centro histórico da cidade também pode ser facilmente percorrido a pé pelos que gostam de caminhar. A moeda nacional é o peso chileno - sendo o melhor custo-benefício deixar pra fazer a conversão do câmbio no próprio país pelo valor do real -, e a língua oficial é o espanhol castelhano.

VOCÊ PRECISA CONHECER:

Cerro Santa Lucía - colina onde foi fundada Santiago, o mirante reúne um belo parque com estátuas, chafarizes, canhões e um portal estilo neoclássico que homenageia Netuno, o rei dos mares na mitologia greco-romana. Para chegar até o mirante do cerro é necessário subir cerca de 300 degraus, mas vale a pena o esforço pela vista incrível da cidade com seus prédios antigos e arranha-céus que tem ao fundo a Cordilheira dos Andes. É um passeio bacana e acessível para se ter um breve reconhecimento da cidade.

Cerro San Cristóbal - localizado no Parque Metropolitano de Santiago, o maior da capital, esse cerro reúne duas capelas e também uma visão especial da cidade em diversos mirantes. Além dos mirantes, o parque também tem um zoológico, piscinas e um centro cultural. É possível subir a pé mas requer certo esforço físico, mas também é possível chegar lá com um funicular ou teleférico - apesar de em ambas as opções serem cobradas uma taxa de entrada eu sugiro a segunda opção, por ser um passeio mais bonito e com melhor custo-benefício.

La Chascona - a principal das três casas no Chile do escritor intelectual ativista Pablo Neruda (1904-1973) é localizada no bairro Bellavista e foi transformada em um museu que conta a história da vida do artista que foi o maior poeta chileno, além de vencedor do Prêmio Nobel da Literatura em 1971. A residência conserva os cômodos e parte da decoração original da morada e o tour oferece um áudio-guiado em diversas línguas, inclusive português. Cheio de charme e poesia, o museu foi aberto por Matilde Urrutía, o grande amor da vida de Neruda, com quem morou na casa durante anos. O museu tem um acervo que conta também com obras de arte e fotografias históricas. É um passeio imperdível para entusiastas da literatura e das artes visuais. E outra curiosidade: o museu foi batizado de La Chascona que significa A Descabelada, como carinhosamente Neruda chamava Matilde. As outras duas casas do escritor chileno, La Sebastiana e El Quisco, ficam localizadas em Valparaíso e Isla Negra, respectivamente.

Mercado Central - o principal mercado municipal de Santiago tem lojas de artesanato e souvenirs, além de restaurantes e barracas de peixes e frutos do mar. O local é imperdível para os apreciadores da boa culinária, porque é onde é possível apreciar o melhor da gastronomia chilena. A variedade de frutos do mar oferecidos no local é vasta, com salmões, congrios, ostras, mexilhões, vieiras e centollas, um caranguejo gigante encontrado nas águas geladas do Pacífico. A sugestão aqui é ir no restaurante Donde Augusto, que é o mais reconhecido e traz uma maior variedade de opções no menu. E os apreciadores da gastronomia também não podem deixar de experimentar o saboroso mote com huesillos, sobremesa chilena típica em forma de bebida que reúne pêssego, trigo cozido e canela - a doce bebida também é comercializada em barracas de rua.

Palácio La Moneda - o principal palácio da cidade começou a ser construído em 1786 para abrigar a fábrica de moedas do país, daí o nome. Em 1846, se tornou a sede do governo chileno. O prédio ainda guarda resquícios do golpe militar de 1973, que causou a morte do presidente Salvador Allende, e no subterrâneo abriga um centro cultural que merece uma visita. Tem uma arquitetura neoclássica e a melhor hora para visita-lo é ás 10h, quando ocorre a troca de guardas na Plaza de Constitución, em frente à construção. Durante cerca de meia hora, uma banda militar acompanha os movimentos rígidos e passadas largas dos “carabineros”, guardas fardados elegantemente vestidos.

Plaza de Armas - localizada no Centro da cidade, a praça foi fundada junto com a própria cidade e reúne em seu entorno bonitas construções arquitetônicas como a Catedral de Santiago e o Palácio Real, além de restaurantes e cafeterias.

Café com piernas - são cafeterias espalhadas pela cidade, entre elas a mais reconhecida rede de cafeterias é a Haiti, onde garçonetes jovens usam vestidos curtos e justos ou minissaias, por isso o nome café com pernas. É um clichê meio sexista, porém é atração à parte bem tradicional da capital chilena.

Museu de Belas Artes - o principal e maior museu de artes visuais da cidade que conta com um vasto acervo de obras históricas e modernas, com exposições permanentes e temporárias. Dentro dele também fica localizado o Museu Chileno de Arte Contemporânea. Imperdível.

Museu de Arte Precolombino - o extenso acervo desse museu reúne mais de 3 mil obras e peças arqueológicas de um período histórico que compreende cerca de 10 mil anos - são esculturas, máscaras, vasos, instrumentos musicais, entre outros. Tudo isso produzido pelos povos maias e astecas e seus precursores.

Sky Costanera - o maior prédio da América Latina com mirante panorâmico tem 300 metros de altura e uma visão de 360°. É bacana fazer o passeio no fim da tarde para apreciar o dia e o pôr do sol. A entrada custa 15 mil pesos chilenos por pessoa.

Viña del Mar - conhecida como Cidade Jardim, as flores estão espalhadas por todos os cantos desse balneário que fica localizado a cerca de 120 quilômetros da capital chilena. É o principal destino de verão dos santiaguinos porque conta com uma extensa praia e cassinos, além de algumas boas opções noturnas de lazer.

Valparaíso - outra excelente opção para o verão, Valparaíso tem várias casas coloridas que dão certo charme ao município que fica próximo a Viña del Mar. Fica localizada entre 45 morros e uma baía espetacular.

Valle Nevado - é a maior estação de esqui da América do Sul e a mais moderna do Chile, fica a cerca de 100 quilômetros de distância da capital e está a 3.205 metros sobre o nível do mar. Tem 9.000 hectares de superfície esquiável, distribuídas em 31 quilômetros de pistas. A valor da entrada varia de acordo com a proposta e estação do ano.

Touristik - uma das principais empresas de turismo de Santiago, a Touristik oferece um passeio guiado por 12 pontos da cidade. É um city tour bem clássico, e o mais bacana é que você pode descer em qualquer um dos pontos e pegar o próximo ônibus porque eles passam de 20 em 20 minutos. A entrada do tour pode ser válida por até 48 horas e custa 30 mil pesos chilenos por pessoa, valor que inclui também o passeio no teleférico até o Cerro San Cristóbal.

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