Paraguai: a simplicidade de Assunção e a força das Cataratas do Iguaçu

07.01.2018

Diziam que ele pensava rápido demais, mudava rápido demais, vivia rápido demais. Gostavam de dizer coisas sobre ele. O fato é que ele havia perdido a miopia, era diligente e possuía a virtude da raiva. Aprendera a filtrar o sentimento para transformá-lo em incentivo. Usava a dúvida a seu favor e fazia dela seu combustível. E talvez por gostar tanto do seu império interior procurava ter contato com qualquer latinidade – foi quando cruzou mais uma fronteira é que entendeu que a viagem era um pouco como as anteriores, uma busca pelo autoconhecimento.

 

O Paraguai era político e poético. Carregava a fama de oferecer mais por menos, mas ia além do estereótipo. A capital Assunção era força bruta, lugar de amor e caos, uma das melhores combinações já criadas pela humanidade. Os ribeirinhos desabrigados pela desigualdade social acampados em frente ao Congresso Nacional do país evidenciavam a coragem de um povo que não temia clamar por seus direitos e que ainda conservava na língua indígena o orgulho e a valorização da sua origem. 

 

Aquele era um dos municípios mais antigos das Américas, de onde partiram expedições para o descobrimento de tantas outras terras. A mãe das cidades, como é popularmente conhecida, mantinha sua essência simples e oferecia o acolhimento sincero de seus residentes mesmo diante de um calor de verão de quase 40 graus. O refresco vinha das ervas medicinais do mate tão adorado, bebida que parecia ser mais um elixir para enfrentar o descontentamento cotidiano. 

 

Os dias custavam a escurecer e a noite assuncena perpetuava os ares de inquietude. Fosse através da autenticidade de sua nação ou pelo trânsito constante de seus visitantes, o Paraguai comprovava a ele uma entre tão poucas certezas: a de que as mais belas qualidades tornam-se inúteis quando a força do caráter não as sustenta.

 

"O sinal mais característico da imperfeição do homem é seu interesse pessoal".

Allan Kardec 

 

SABIA QUE? Localizado no centro-sul da América do Sul e fazendo fronteira com o Brasil, Argentina e Bolívia, o Paraguai conquistou sua independência da Espanha apenas em 1811 porém foi fundado no início do século 16, sendo habitado por comunidades indígenas muito antes de sua colonização. Reconhecido atualmente no continente por seu aporte e revenda de produtos exportados como eletrônicos, roupas e cosméticos, o país tem como capital Assunção, cidade que comporta um terço do total de sua população que tem cerca de 7 milhões de habitantes. O Paraguai é um dos países mais pobres e corruptos da região, porém desde o início do século 21 tem passado por um rápido crescimento econômico ultrapassando os seus vizinhos, fazendo com que muitas empresas brasileiras, por exemplo, mudem suas sedes de operações para lá – uma maior agilidade nos processos burocráticos em comparação com o Brasil incentivam esse movimento. A exportação de soja e produtos de pecuária, além da revenda de produtos importados, estão entre os pilares principais da economia do país que tem como grande parte da população os brasileiros, que são chamados popularmente de brasiguaios. A língua oficial do país é guarani, que passa por um movimento de resgate e vem sendo ensinado no sistema educacional junto do espanhol, que é igualmente considerado língua oficial. A moeda nacional também leva o nome de guarani, sendo o real aceito em grande parte do território paraguaio.

 

VOCÊ PRECISA CONHECER: 

 

Cabildo - construído em 1578, o prédio onde funcionava órgão administrativo e judiciário da capital Assunção também abrigava a cadeia da cidade. Atualmente tonou-se o museu histórico do país e tem exposto parte da história nacional com relíquias de guerras e algumas obras de arte, com um acervo não muito extenso.

 

Palácio de los López - o palácio com arquitetura neoclássica é a sede atual do governo paraguaio e foi construído em 1857 pelo então presidente Francisco Solano López. Fica às margens da baía de Assunção na Costanera, onde passa o Rio Paraguai, que atravessa todo o país. Para realizar a visitação interna no local é necessário um agendamento que pode ser feito virtualmente. 

 

Costanera - a avenida passou por obras de revitalização e tornou-se um dos principais pontos de encontros da capital, e conta com uma orla bacana e uma praia artificial imprópria para banho. É frequentada por turistas e moradores, que costumam realizar práticas de esportes ao ar livre no local. Infelizmente falta comércio em torno da avenida.

 

Panteão Nacional dos Heróis - monumento e templo erguido em homenagem aos combatentes da Guerra do Paraguai, principal conflito armado da América do Sul que se estendeu de 1864 a 1870. A construção foi iniciada em 1863 e ficou parada por mais de 70 anos devido aos resquícios da guerra, sendo que foi finalizada somente em 1936.

 

Igreja da Encarnação - a mais bela igreja católica do Paraguai tem uma arquitetura bem peculiar que mistura diferentes estilos. Teve sua construção iniciada em 1893 e até os dias atuais passa por reformas e melhorias.

 

Loma San Jerónimo - é um dos novos pontos atrativos da capital paraguaia, com uma orla boemia que tem restaurantes, cafeterias e lojas de artesanato. É um bairro simples e bem colorido. Não deixe de conhecer a escadita e o mirante, e a dica aqui e saborear um bom drinque na Casa do Mojito.

 

Museu do Barro - o Centro de Artes Visuais de Assunção conta com um extenso acervo de obras históricas e contemporâneas de artistas paraguaios, além de dezenas de estatuetas feitas de barro. O museu faz pela capital o que os grandes museus do mundo fazem por suas cidades e transita entre a cultura popular, indígena e colonial. Construído graças aos esforços do também artista Carlos Colombino, o equipamento cultural tornou-se um dos principais do país. Imperdível.

 

Calle Palma - talvez a rua mais comercial de Assunção, junto da Estrella e a Palma, que são cortadas pelas avenidas Jejuí e Chile. Fica localizada no Centro histórico da cidade e em seus arredores é possível encontrar restaurantes, feiras e praças, além de pontos turísticos.

 

Lido bar - restaurante de balcão com comidas típicas do Paraguai. Aproveite para experimentar aqui a famosa sopa paraguaia, prato que praticamente pode ser encontrado em todos os restaurantes do país. 

 

El imigrante - restaurante bem localizado com vista para a avenida Costanera que tem um extenso cardápio e boa infraestrutura. Aproveite para curtir aqui o por do sol acompanhado de uma boa culinária.

 

Cassinos - a noite assuncena tem crescido bastante na última década oferecendo cada vez mais opções, entre elas os cassinos, como por exemplo o Candilejas, o Villa Morra, o Guaraní e o Casino de Asunción by Worest.

 

Lago Ypacaraí - é o principal lago do país onde fica localizado o balneário San Bernardino, que é rota de férias para muitos paraguaios. Fica localizado há cerca de 50 quilômetros de distância de Assunção.

 

Ruínas Jesuíticas - o Paraguai conta com sete ruínas das missões jesuíticas, sendo as ruínas de Trindad a principal delas, que fica localizada a uns 250 quilômetros de Foz do Iguaçu. As ruínas jesuíticas guardam construções de pedra que são reconhecidas como patrimônio universal da humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura).

 

Cataratas do Iguaçu - com cerca de 275 quedas de água, esse patrimônio natural é considerado uma das sete maravilhas da humanidade. É imperdível de conhecer para quem vai visitar o Paraguai porque fica localizado praticamente na Tríplice Fronteira. As cataratas são oficialmente dívidas entre o Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, no Paraná, Brasil, e o Parque Nacional Iguazú, em Missiones, na Argentina, e podem ser visitadas por ambos os lados, que oferecem passeios diferentes - sendo que o lado brasileiro conta com uma visão panorâmica mais privilegiada. O parque nacional argentino foi criado em 1934 enquanto o parque brasileiro foi inaugurado em 1939. A área total de ambos os parques nacionais corresponde a 250 mil hectares de floresta. Atualmente as Cataratas do Iguaçu é o segundo local mais visitado por estrangeiros no Brasil. O primeiro europeu a encontrar o patrimônio foi o espanhol Álvar Núñez Cabeza de Vaca no ano de 1541. O passeio é bem impactante e conta com diferentes tours. Não deixe de ir na Garganta do Diabo, a principal queda das cataratas.


 

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