Grécia: o berço da civilização moderna em Atenas e o magnetismo de Mykonos

Após atravessar o oceano passou pela ecdise e perdeu a cauda. Trouxe consigo a práxis do improvável junto à epifania da desordem, suas imperfeições perfeitas e seu profano sagrado. Tornou-se estóico, encarava as adversidades com serenidade, sabia que o ter é a falência do ser. Fosse alfa ou ômega, seu corpo era sua casa. Fazia sentido como a razão áurea que estruturava as edificações daquela terra, uma oferenda ao santuário de Esculápio. Palco do nascimento de artes e guerras, celeiro de grandes pensadores, arquipélago de transformações, a Grécia saciava sua fome como o banquete de Platão. E sobre a colina de Marte enxergava o que não via antes, percebeu que era um pouco de Ares, um tanto de Hércules, um bocado de Apólo. Talvez fosse helenista.

O branco veio como avalanche. Aquele que construía a identidade das ilhas gregas fazia o mesmo por ele, e lhe acalmava a ideia de carregar a completude das cores primárias junto à sua cabeça e outros pelos de seu corpo. Fazia tempo que não sentia-se tão velho e tal tranquilidade lhe provocava a ilusória sensação de segurança. Pensava que se Atenas derrotou Poseidon com a sabedoria, ele poderia derrotar a maldade com a astúcia. Sentia o silêncio em meio a tanto barulho e na contradição entre conhecer mais o mundo para reconhecer melhor a si mesmo, seguia traçando caminhos antes impensáveis para eternizar-se assim como na etimologia e na vida: o amor é a ausência da morte. Não deixava de amar. Amava e continuava.

Mais uma vez, como em todas suas viagens, se apaixonou. Compreendeu que na verdade era apaixonado pela paixão. E tudo o que norteava aquelas ruelas e colinas sob o Sol que seguia sua linha torta lhe dava respostas pendulares de que sua existência era um equilíbrio irônico entre a tragédia e a comédia. Aquilo já havia se tornado um hábito secreto: ele, a silhueta da cidade, o conforto do escuro, o anonimato e a compreensão de que lá ninguém o conhecia. A satisfação de viver mais um dia. Os estranhos movimentos sutis delgados. Gostava de sentir a brisa noturna de outros lugares, de ouvir o barulho do tráfego dos carros e das risadas dos locais, de escutar o som de alguma garrafa quebrando ou de alguma música regional que até então era estrangeira para seus ouvidos.

Fingia não pensar muito, apenas procurava viver bem. Apenas vivia. Mais de uma vez viajantes como ele diziam que ele que tinha um belo sorriso, mas que carregava uma melancolia em seus olhos. Isso não o incomodava porque sabia da beleza de sua contradição. Então ele encenou uma vida nova durante aquele tempo. Fez amizades com outros turistas, sempre mantendo certa distância: jovens estudantes em anos sabáticos, americanos refazendo os passos de heróis literários convencidos de que nunca retornariam ao seu país de origem, alguns herdeiros ricos de diferentes nacionalidades, gente que visitava a cidade inteira em um único dia, um conjunto de pessoas que chegavam e logo iam embora como se fossem fugitivos temporários de suas vidas. Ele sorria, conversava e relembrava a si que estava fazendo o que queria. E havia algum consolo no contato com toda aquela diferença. O inverno passou e a primavera chegou bela como esperado.

O telefone tocava frequentemente com mensagens de amigos que tornaram-se colegas ou vice-versa, alguns trazendo afetos sinceros e outros falsos interesses. Aprendeu a diferenciá-los. Certa vez algum sábio lhe disse que o discernimento entre a serenidade e a felicidade é o senso próprio de justiça. Nada contribuía mais para sua paz interior do que saber distinguir tais sentimentos. Concluía seu ciclo e finalmente sentia-se completo. O que está escrito, escrito está.

"Só sei que nada sei, e saber disso me coloca em vantagem daqueles que acham que sabem alguma coisa".

Sócrates

SABIA QUE? Também conhecida como República Helênica, a Grécia fica localizada ao Sul da Europa e tem cerca de 11 milhões de habitantes, sendo que 3 milhões deles residem em sua capital Atenas, que é repleta de tesouros arqueológicos, além de ser o centro econômico e a maior cidade do país que fica quase que estrategicamente localizado entre o continente europeu, a Ásia, o Oriente Médio e a África. Pesquisas indicam que cerca de 80% da Grécia é composta por montanhas e colinas, sendo que o Monte Olimpo é o mais elevado deles com quase 3.000 metros de altitude. Considerada historicamente o berço da civilização ocidental, o país tem como origem grandes pilares da sociedade moderna como a democracia, a filosofia, as ciências políticas, os Jogos Olímpicos e as artes cênicas. Entre os grandes pensadores gregos que mudaram o mundo com suas reflexões e tratados estão Platão, Sócrates e Aristóteles. As conquistas culturais da Grécia tiveram grande influência em outras nações do mundo, e o país também foi um dos fundadores da ONU (Organização das Nações Unidas). Apesar de ter uma população com um alto padrão e qualidade de vida, a Grécia sofreu talvez a maior crise econômica de sua história em 2010, o que provocou uma dívida enorme com o FMI (Fundo Monetário Internacional) e pacotes econômicos de austeridade - reflexos de tal crise podem ser sentidos no país até o ano de 2018, quando a nação vivencia um encolhimento de quase 25% do seu PIB (Produto Interno Bruto). Ainda assim, os gregos demonstram seu poder com otimismo e altruísmo, e o país já apresenta uma recuperação econômica. As ilhas gregas – são cerca de 6.000 sendo que apenas 227 são habitadas –, são reconhecidas internacionalmente como alguns dos destinos turísticos mais paradisíacos do mundo, e também tem seu charme histórico. Entre as mais visitadas estão Santorini e Mykonos, conhecidas por suas lindas praias e por seu povo acolhedor e liberalista. Quanto à gastronomia da Grécia, não deixe de provar as delícias da comida mediterrânea que tem como base produtos derivados da oliva e frutos do mar, além dos sabores dos diferentes vinhos, já que o país tem tradição na fabricação da bebida há mais de 4 mil anos. A moeda nacional é o euro e a língua oficial é o grego, que tem um alfabeto próprio. Vale destacar também que é super fácil de se locomover de metrô em Atenas, mais ainda que em outras capitais europeias, a rede conta com quatro linhas que conectam os principais pontos da cidade. De abril até novembro são os meses mais quentes na Grécia e é quando o país recebe a sua maior alta de turistas.

VOCÊ PRECISA CONHECER:

Acrópole - construída por volta de 450 a.C. a mais famosa Acrópole do mundo é um complexo arqueológico que inclui obras arquitetônicas como o Paternon, templo dedicado à deusa Atena que é o mais conhecido edifício da Grécia antiga e considerado um marco para civilização ocidental; o Erecteion, monumento em estilo arquitetônico jônico que reúne um santuário primitivo; o Teatro de Dionísio, considerado o primeiro teatro do mundo; o Odeão de Heródes, estrutura semelhante também dedicada a apresentações para o grande público, e o Propileu, templo monumental dedicado à Atena Nike que fica na entrada do Paternon.

Templo de Zeus - templo olímpico dedicado à um dos maiores deuses da mitologia grega, também chamado de Olimpeu, atualmente é uma ruína monumental que simboliza o apogeu do império grego. Na sua entrada logo do lado de fora fica o Arco de Adriano, construção erguida por volta de 130 d.C. em um estilo arquitetônico que remete aos arcos romanos.

Museu da Acrópole - inaugurado em 2007, o mais reconhecido museu da capital grega tem relíquias e tesouros arqueológicos bem conservados da Idade Antiga. Aqui é possível apreciar várias peças, esculturas e artefatos recuperados e restaurados, sendo a maioria deles retirados da própria Acrópole de Atenas. Talvez as peças mais impressionantes são as seis Cariátides originais, esculturas que trazem a lenda mitológica sobre mulheres que supostamente traíram a Grécia durante a invasão da cidade pelo povo Perseu, e por isso foram castigadas por Zeus de carregarem em suas cabeças todo o tempo e o peso do mundo.

Antiga Ágora e Templo de Hefesto - era um dos espaços mais importantes da cidade na antiguidade, onde ficava prédios da administração pública e a atividade social e comercial da capital, como o grande mercado. Atualmente o complexo reúne ruínas de esculturas e estruturas arquitetônicas. Aqui também é possível visitar a Estoa de Átalo, museu que traz peças e relíquias antigas.

Biblioteca de Adriano - já foi a mais importante biblioteca do mundo, o espaço tornou-se um sítio arqueológico que também traz ruínas milenares. Atualmente evidentemente não conta mais com obras da literatura, mas vale a pena pela visita histórica. Bem próximo dela fica a Ágora Romana, espaço que substituiu a Antiga Ágora após a invasão do império romano. Ambos os complexos ficam localizados na Praça Monastyraki, que fica situada bem no coração da cidade e ainda conta com uma bela igreja cristã e uma mesquita turca, além de um feira municipal.

Praça Syntagma - a principal praça de Atenas onde fica localizado o Parlamento Grego, que é o prédio do governo. É aqui onde costumam acontecer as principais manifestações da população. Não deixe de ver a famosa troca coreográfica da guarda militar chamados de Evzones - eles vestem uma roupa típica bem peculiar e executam a apresentação performática de meia em meia hora.

Kolonaqui - o bairro mais chique de Atenas que reúne lojas e boutiques de marcas internacionais. É calmo, tranquilo e tem restaurantes charmosos.

Plaka - localizado na região central, esse bairro ateniense é o mais turístico da cidade e fica logo aos pés da Acrópole. Aqui tem diversos restaurantes e lojas com artigos gregos típicos e souvenirs. O trânsito de veículos não é permitido no bairro e as ruas são bem estreitas, o que torna o passeio um agradável programa para quem busca respirar um pouco dos ares da capital.

Gazi - o bairro hipster reúne diversas opções para quem procura uma boa programação noturna, tem vários bares e restaurantes que oferecem uma vasta carta de drinques, além de ter diferentes espaços pra quem gosta de dançar uma música eletrônica ou pop grego.

Varvàkios Ágora - mercado popular tradicional de alimentos de Atenas com comércio de frutas e frutos do mar.

Estádio Panatenaíco - também chamado de Calímarmaro, é o estádio de atletismo de Atenas, um dos mais antigos do mundo. Foi utilizado mais de uma vez nos Jogos Olímpicos e tem parte da construção feita de mármore, o que dá um charme único para o local.

Colina de Marte - conhecido como Areópago ou Colina de Ares - fazendo clara alusão ao deus grego do submundo - o monte fica próximo à Acrópole e traz uma visão panorâmica especial da capital. Era aqui onde o conselho da antiga Atenas se reunia para discutir questões como educação e ciência. Já na era do cristianismo, o local tornou-se conhecido por ter sediado discussões entre os filósofos estóicos e a doutrina monoteísta.

Mykonos - apelidada de Ilha branca e Ilha dos Ventos, Mykonos tornou-se um destino turístico por volta da década de 60. A ilha tem apenas 10 mil habitantes fora da temporada e recebe cerca de 1 milhão de turistas na alta temporada, período que vai de junho a agosto. É imperdível visitar a cidade caso você vá a Grécia. Segundo a mitologia, Mykonos era o filho do deus Apólo, que foi o deus da juventude e do sol, e também foi na ilha onde teria acontecido a lendária batalha de Zeus contra os titãs. O centro de Mykonos tem casas com uma arquitetura única que são pintadas com as cores azul e branco - essa última para refletir o calor do sol durante o verão e não esquentar demais as ruas da cidade -, e curiosamente foi construído de maneira estreita quase em forma de labirinto para confundir os piratas que invadiam o local frequentemente em busca de riquezas. Para se locomover entre as dezenas de praias da ilha, que ficam relativamente distantes uma das outras, vale a pena alugar um carro ou um ATV, que são quadriciclos motorizados - dirigir um desses é uma aventura à parte.

Super paradise - a praia mais badalada de Mykonos tem dois beachclubs (o Superparadise e o Jackie O') que estão a sua altura, um mar de água cristalina e gente bonita e descolada que vem de diferentes lugares do mundo. Alugar um guarda-sol e passar ao menos uma tarde aqui vale a pena se você procura diversão e interação com turistas de nacionalidades distintas.

Paradise - já não tão agitada quanto a sua "irmã", que fica bem próxima, essa praia também tem um mar de cor verde e árvores que parecem bonsais gigantes e crescem direto da orla da areia. Se você procura diversão o beachclub aqui para ser visitado é o Guapaloca, que é todo decorado na cor rosa e tem drinques que vem em tamanhos gigantes.

Elia - é talvez a praia mais LGBT de Mykonos mas conta com um público bem eclético e liberalista. Tem uma parte que é completamente nudista.

Paranga - também é uma praia descolada, mas não tanto quanto as Paradises e a Elia. É linda e tem uma areia bem característica formada por várias conchas.

Psarou - é a praia mais chique da ilha com hotéis caríssimos e um público diferenciado.

Agios, Panourmos e Fokos - essas três praias não ficam tão próximas umas das outras, não são muito extensas, mas são bem charmosas e paradisíacas, e valem ser visitadas se a procura é por mais calmaria e sossego.

Petinos - um mar com água cristalina bem quente, calmaria e tranquilidade. Se você procura tudo isso, essa é a praia ideal em Mykonos.

Scorpions - é quase que uma praia exclusiva de tão pequena, mas o que tem de pequena também tem de badalada. O beachclub aqui para ser visitado é o Santana.

Cavo paradiso - a casa noturna mais agitada de Mykonos tem baladas homéricas que seguem até o amanhecer. Imperdível se a busca é por curtição e uma boa música eletrônica.

Jackie O' e Hotel Elysium - são os dois pontos LGBT mais conhecidos de Mykonos. O primeiro é um bar que oferece uma vasta carta de drinques e fica aberto até altas horas da madrugada, enquanto o segundo é onde costuma ficar hospedado esse público e também tem um sunset em um beachclub exclusivo.

Chora - é o centro de Mykonos, onde deve-se ficar hospedado se a procura é estar bem localizado. É aqui onde tem as históricas ruelas em forma de labirinto, as casas brancas com detalhes em azul, diversos restaurantes com opções deliciosas, e também várias lojas e boutiques.

Moinhos de vento - são cinco deles que ficam enfileirados. Esse ponto histórico de Mykonos já foi um dia fundamental para economia da cidade porque como há bastante vento na ilha, era aqui que os grãos eram moídos para depois serem comercializados por seus moradores.

Little Venice - também localizada em Chora, aqui tem diversos bares e restaurantes onde se come e se bebe muito bem. É um dos principais pontos de encontro de Mykonos. Bem charmoso, onde é possível observar um pôr do sol único.

Jymmis - o restaurante que leva o nome do seu dono tornou-se tradicional na ilha por funcionar 24 horas por dia e por ter o melhor svlaky, que é um tipo de sanduíche grego no mesmo estilo do kebab, que dizem ser o melhor da cidade. É simples, pequeno e por lá já passaram algumas celebridades.

TEM ALGUMA DÚVIDA OU PROCURA ALGUMA DICA ESPECÍFICA? ENVIA UMA MENSAGEM ATRAVÉS DAS REDES SOCIAIS.

POSTS RECENTES:
PROCURE POR TAGS: