Brasil: sobre arquétipos e a energia do Nordeste – e o que é que a Bahia tem

Ele apagou o seu último cigarro com a mesma naturalidade e destreza de quem está acostumado a enterrar os amores. Ouviu dizer que o mundo é portátil para quem não tem nada a esconder, mas para ele nunca funcionou assim. Não que não tivesse o que esconder, até porque aprendeu que todos têm segredos, e também entendia o lirismo da citação, porém os dias difíceis muitas vezes não permitiam que seu pensamento viajasse para longe. Nascido e criado no rescaldo sulista do Brasil, cruzou o seu país para matar a sede que procurava enfrentar no típico calor ensolarado do Nordeste. Era aquela tal sede pelo novo, de novo.

Lembrou que um dia tentaram explicar para ele que não era algo metafísico, químico ou biológico, tal sentimento não se abastecia de lógica. “Querido, nunca deixe esquecer onde nasce e mora todo o amor, é daí que vem a sede”. Aí sim, veio mais uma vez aquela vontade de abraçar o mundo com uma força descomunal até que os seus braços arrebentassem todas as defesas e distâncias que foram impostas pelo passar das estações. Era quase perversa aquela paixão e distância. É que todas as coisas perversas começam na inocência, aprendeu isso com um de seus mestres.

E estava distante agora. Em Salvador, a primeira capital do Brasil. A cidade baiana transpirava brasilidades em um colorido cheio de si e com alguns dos melhores sabores do continente. Não demorou para compreender que o que havia o trazido até lá era a liberdade que fazia seu coração pulsar. E era isso, afinal, o que é que a Bahia sempre teve: um jeito livre e único de se viver, uma sinceridade sustentada por um orgulho merecido de ser o que é. Seu próprio tempo, suas belezas naturais, seu sincretismo, sua força e sua história. Leveza, bom humor e positividade. Sorrisos simples, aconchegos sinceros e aromas quentes.

E se tinha algo para aprender com aquela terra era a não ter medo de romper tratados para priorizar o cumprimento dos pactos que havia feito consigo. Se o arquétipo do sábio buscava a falsa verdade suprema e através do conhecimento desejava controlar, mensurar e validar, ele optava por assumir o papel de explorador, para que assim não construíssem cercas ao seu redor, pois assim ele permaneceria dinâmico, obstinado e ágil. Em busca de um mundo melhor, mais autêntico, gratificante e verdadeiro. Era esse seu objetivo a longo prazo: tentar ser um humano melhor a cada dia. E seguia assim, capitão de areia de si, cigano que não deixaria nunca de acreditar em finais felizes. Afinal, ele ainda pertencia aquele mundo e aquele país, como não ser feliz por isso?

Linda és tu. És linda e doce, amorosa e triste. Tens tudo que não presta”.

Jorge Amado

SABIA QUE? Fundada em 1549 com o nome de Bahia de Todos os Santos, a Bahia tem atualmente 10 milhões de habitantes, sendo que sua capital, Salvador, é a cidade mais populosa do Nordeste do Brasil, com cerca de 3 milhões de residentes. A construção da cidade se deu também graças a sua formação geográfica acentuada, dividida entre a Cidade Baixa e a Cidade Alta, característica que refletiu-se também na consequente divisão de classes econômicas entre os bairros do município. A economia da Bahia é sustentada pelo turismo, polo petroquímico e exportação e importação de diversos produtos devido ao seu próprio porto náutico, e o estado também é repleto de ilhas no litoral, sendo a maior delas a Ilha de Itaparica. Salvador também é a terceira maior cidade do Brasil e a cidade com mais negros no mundo fora da África. O Centro da capital baiana tem uma arquitetura colonial histórica, pois o município foi a primeira capital do Brasil e a segunda cidade brasileira a ser fundada. Com uma forte cultura musical, com gêneros que nasceram no próprio estado, como o axé e o samba-reggae, a Bahia também se destaca pelo seu sincretismo religioso, que mistura o catolicismo e o candomblé – a capital baiana tem 372 igrejas.

VOCÊ PRECISA CONHECER:

Pelourinho - também chamado de Pelô, é um bairro localizado no Centro Histórico de Salvador, e possui um conjunto arquitetônico colonial barroco brasileiro tombado como patrimônio da Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura). Talvez o ponto mais turístico da cidade, é composto por ruas estreitas com calçamento em paralelepípedos e fica situado no coração da capital baiana. Traz apresentações artísticas e musicais ao ar livre, além de diversas lojas com produtos artesanais regionais, assim como bares, restaurantes, museus, teatros e igrejas. Não deixe de conhecer aqui o famoso Largo do Pelourinho, além da Fundação Casa Jorge Amado, museu que valoriza a literatura trazendo a história do escritor baiano, pois também já foi a residência do mesmo, e também a Igreja e Convento de São Francisco, que são edificações históricas da cidade erguidas entre os séculos XVII e XVIII, com as mais potentes expressões do barroco brasileiro – a igreja é especialmente preciosa por sua decoração interna, pois calcula-se que foi usado cerca de uma tonelada de ouro para fazer os douramentos.

Elevador Lacerda - um marco para a cidade baiana, o elevador Lacerda foi inaugurado em 1873 e é considerado por muitos o primeiro elevador urbano do mundo. Atualmente tem cerca de 72 metros de altura, e cumpre a função de transporte público pois divide a Cidade Alta e a Cidade Baixa. Chega a transportar 900 mil passageiros por mês e seu percurso tem 30 segundos de duração.

Mercado Modelo - com mais de 260 lojas que comercializam os mais variados produtos, desde artesanato regional até roupas, acessórios e objetos de decoração, o Mercado Modelo fica situado na Cidade Baixa e localizado praticamente em frente à costa litorânea no centro da cidade. Foi inaugurado em 1906, tem uma arquitetura em estilo neoclássico e é dividido em dois pavimentos.

Rio Vermelho - bairro localizado na orla marítima da cidade, tem ares descolados com diversos restaurantes e bares que oferecem diferentes apresentações musicais. Fica ao lado de Ondina, bairro igualmente reconhecido pelo movimento e pela bonita praia que fica às margens. Além do clima boêmio e pelas boas opções gastronômicas, é também conhecido pela colônia de pescadores da localidade.

Cidade Alta - é a maior parte e mais moderna área de Salvador, abarca grandes prédios e movimentadas avenidas. É considerado o centro econômico da capital, e sofre com problemas de mobilidade e violência urbana. Conta com diferentes shoppings, praças e parques, tais como o Parque da Cidade e o Parque de Pituaçu, além de algumas das praias mais concorridas da cidade. Algumas das praias mais conhecidas são: Praia da Gamboa, Praia do Cristo, Praia de Itapuã e Praia da Boa Viagem.

Cidade Baixa - banhada pela atual Baía de Todos os Santos, é um bairro em planície estreita que tem como atividades econômicas a portuária e a comercial. Para muitos, é aqui onde realmente é possível sentir a essência da capital baiana, já que a cidade cresceu praticamente ao seu entorno. Reúne museus, praias e fortes históricos.

Farol da Barra - com uma das mais frequentadas praias do Centro de Salvador, o farol é também um forte colonial foi construído em 1839. É um ponto histórico da cidade, e muitos garantem que tem a visão mais bonita do pôr do sol da capital. Vale a pena se você procura um movimento local, além de opções gastronômicas e uma boa praia.

Praia do Forte - com 12 quilômetros de extensão de praia com muitos recifes e corais, a praia é própria para quem gosta de fazer esportes aquáticos submersos, como mergulho e snorkel. Localizada cerca de 80 quilômetros de distância da capital baiana, tem seu acesso através da Estrada do Coco, a mais reconhecida rodovia do estado.

Morro do São Paulo - um dos lugares mais paradisíacos da Bahia, é uma vila localizada na Ilha de Tinharé, no município de Cairu, na região conhecida como Costa do Dendê. Atualmente suas praias (Primeira, Segunda, Terceira, Quarta e Encanto) são frequentadas por turistas do mundo inteiro. Vale a pena tirar mais de um dia para ficar hospedado na vila se você procura belezas naturais, simplicidade, e é claro, uma água de mar cristalino.

Ilha de Itaparica - localizada a 13 quilômetros de distância de Salvador por via marítima, a maior ilha da Bahia tem diversas praias com águas mornas e tranquilas, casarões centenários com arquitetura preservada e ruas de paralelepípedos. É cercada de arrecifes e corais e tem uma vegetação tropical com centenas de coqueirais. A Praia do Forte também fica localizada aqui, assim como a casa do escritor João Ubaldo, além de um belo Centro Histórico, e praias que oferecem até banhos de lama.

Ilha dos Frades - também localizada na Baía de Todos os Santos, a ilha é bacana para quem procura um passeio mais tranquilo mas não deixa de lado a apreciação pelas belezas naturais. Para chegar até ela é necessário um trajeto de barco, pois só tem acesso por via marítima.

Baladas e festas - estado de importantes manifestações artísticas e tradicionais festivais, como o Festival de Verão de Salvador e o Carnaval, a Bahia também conta com diferentes opções de entretenimento noturno, principalmente na capital. As baladas mais frequentadas por um público bonito composto por turistas e locais são a Pink Elephant Salvador, o Groove Bar, a San Sebastian e o Coliseu do Forró, para quem aprecia o gênero musical. Também aposte ir no Carnaval caso você procure maior agito e movimentação e aprecia particularmente os ritmos baianos, assim como a micareta, manifestação musical que nasceu na Bahia e se espalhou por todo o Brasil.

Gastronomia baiana - a gastronomia baiana é reconhecida internacionalmente pelo uso de especiarias e saborosos ingredientes regionais, como frutas como o Dendê (usado para fazer o azeite) e a Ubucaja, e frutos do mar como lagosta, polvo, lambreta e peixes típicos. Há pratos que não podem deixar de ser apreciados tais como o famoso Acarajé, o Vatapá e o Carurú, e é claro, a Moqueca de diferentes sabores.

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