Portugal: sete passos para se apaixonar em Lisboa, Sintra e Porto

A profecia sempre foi uma profissão perigosa. Sabia disso porque aprendeu que o imaginário é subversivo e a realidade é perversa. Mas para chegar ao sublime precisava do banal, e de nada adiantava adiantar-se. Foi então que desenhou um mapa dos lugares que prometeu ir porque sentia que algo o esperava em cada um desses locais e se caso não coletasse tais memórias, se desistisse na metade, estaria incompleto e perdido, como lágrimas que se perdem nas nuvens.

Com frequência perguntavam se não tinha vergonha de escrever sobre seus amigos, seus amores, sua família, sobre ele mesmo. Respondia não porque reconhecia a essência antropocentrista da humanidade. Era algo que funcionava naturalmente, quando escrevia não se colocava nas histórias, se encontrava nelas. A fantasia se constrói com a realidade e era preciso viver para escrever. Então seguia persistente com o seu atlas, agora no país colonizador do seu próprio país. Talvez buscasse algo relacionado as origens, ao corpo, ao ego, aos problemas, a maneira de pensar, ao provincianismo ínfimo e as pequenezas apostróficas. Mas encontrou o oposto: o gigantismo físico, o infinito particular, a relutância em ser arquétipo ou propriedade.

Portugal tinha tudo o que ele precisava para se apaixonar, desde a luz natural projetada nos castelos e monumentos, até a gastronomia suculenta e os nativos que ensinavam-lhe sobre simplicidade com uma objetividade quase rude no jeito que tinham ao tratar o próximo. Entendeu com eles mais sobre a necessidade da insatisfação, e como precisamos dela para nos tirar da zona de conforto. Era necessário se apaixonar a fortiori.

Mas para se apaixonar precisava lembrar constantemente de amar a si mesmo. A busca quase insana pela completude acontecia não apenas quando estava só, mas sim quando permitia enxergar com o olhar do outro. Ter mais altruísmo lhe trouxe mais força. E que não confundisse liberdade com solidão, pois a primeira não precisa da segunda, diferente do inverso.

Eram sete os passos: o plano, a vivência, a origem, a força, a fortuna, a serenidade e a mudança. Todo desejo é um desejo de morte. Toda perda é um ganho. Todo fim é um começo.

O poeta é um fingidor,

ele finge tão completamente,

que chega a fingir que é dor

a dor que deveras sente”.

Fernando Pessoa

SABIA QUE? Considerado o primeiro império global da história, Portugal já possuiu colônias na África, Oceania e América do Sul, sendo o Brasil a maior de todas. O país tem atualmente cerca de 10,5 milhões de habitantes espalhados em seu pequeno território de 92.250 mil quilômetros quadrados. Geograficamente é a nação localizada mais ao ocidente no continente europeu. A sua capital, Lisboa, é a cidade mais populosa do território português, com cerca de 507 mil habitantes. Atualmente, a estrutura da economia portuguesa baseia-se nos serviços e na indústria, que representam, respectivamente, 67,8% e 28% do mercado. Diferente do Brasil onde o sistema é presidencialista, em Portugal o sistema político é o Parlamentarismo, em que há um presidente da república e um primeiro-ministro, que possuem papéis diferentes na gestão do país. A moeda é o euro e a língua natural é o português.

VOCÊ PRECISA CONHECER:

Torre de Belém – construída em 1520, a torre localizada às margens do Rio Tejo, o rio mais extenso da Península Ibérica, era usada como forte de proteção e defesa, e com o tempo, tornou-se um ícone da capital portuguesa. O monumento é considerado patrimônio mundial da humanidade pela Unesco (Organizações das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) e tem influências islâmicas e orientais, sintetizando bem o estilo manuelino, típico estilo arquitetônico português.

Monumento dos Desbravadores – também chamado de Padrão dos Descobrimentos, localizado na freguesia de Belém, é um monumento com 56 metros de altura que foi construído em 1960 e que homenageia o pioneirismo e passado glorioso de Portugal quando o assunto era desbravar o mundo estrangeiro. Reúne uma série de figuras importantes para a história, tais como Infante D Henrique, Pedro Álvares Cabral e Cristóvão da Gama.

Mosteiro dos Jerônimos – também localizado na região de Belém e patrimônio mundial da Unesco, é o ponto culminante da arquitetura manuelina, e foi construído em 1502. O prédio é atualmente uma das maiores atrações turísticas de Portugal.

Museu Coleção Berardo – talvez o museu com acervo de arte moderna e contemporânea mais potente do país, o Berardo traz obras de Pablo Picasso, Marcel Duchamp, Max Ernst, Piet Mondrian, Joan Miró, Maria Helena Vieira da Silva, Francis Bacon, Paula Rego, Yves Klein, Andy Warhol, Frank Stella, Richard Serra, Gerhard Richter, Bruce Nauman, Julião Sarmento e Gabriel Orozco. Um percurso pela história dos desenvolvimentos artísticos, promovidos por estes nomes e outros, é proposto ao visitante, que tem assim a oportunidade de conhecer um dos séculos mais empolgantes da criação artística.

MAAT – o Museu de Arquitetura, Arte e Tecnologia é talvez o mais moderno em estrutura de Portugal, e também fica localizado em Belém. Apresenta exposições nacionais e internacionais com o contributo de artistas, arquitetos e pensadores contemporâneos, refletindo sobre tendências atuais – só pela arquitetura, o prédio já merece uma visita.

Única Fábrica de Pastéis – é uma das mais tradicionais fabricantes dos famosos pastéis de nata, existe desde 1837 e a receita ainda é preservada. A confeitaria lisboeta produz cerca de 30 mil pastéis por dia.

Confeitaria Nacional Belém – existe desde 1829 e também é uma das mais tradicionais quando o assunto são os doces portugueses na capital, produz cerca de 2 mil pastéis por dia.

Praça do Comércio – com 36 mil metros quadrados, essa praça de Lisboa é uma das maiores da Europa e tem um arco incrível por onde passa a rua Augusta, a rua mais famosa do comércio da capital. Aqui vale a pena tirar um tempo só pra curtir os ladrilhos no chão e ir à Casa do Pastéis de Bacalhau.

Elevador Santa Justa – liga a rua do Ouro ao Largo do Carmo e constitui-se num dos monumentos mais interessantes do Baixo Lisboa. É composto por uma torre metálica onde circulam duas cabines, tem arquitetura neogótica, foi construído em 1902 e com o tempo também tornou-se um dos principais pontos turísticos de Lisboa.

Convento do Carmo – fundado em 1389, hoje restam ruínas do prédio original, que fica localizado no bairro Rossio. O conjunto já foi a principal igreja gótica da capital, e que pela sua grandeza e monumentalidade, ficou em ruínas devido ao terremoto de 1755 não tendo sido reconstruído, pois foi um dos três únicos prédios de Lisboa que ficou de pé após a catástrofe – é um dos principais testemunhos da catástrofe ainda visíveis na cidade. Atualmente as ruínas abrigam o Museu Arqueológico do Carmo.

Bondinho 28E – esse passeio não pode faltar na programação para conhecer Lisboa, que é também reconhecida por seus famosos bondinhos que circulam em parte do Centro Histórico da cidade. O ponto de partida oficial é na Praça Martin Moniz, e a rota desse bondinho passa pelos famosos bairros Alfama, Chiado e Cidade Baixa.

Castelo São Jorge – historiadores afirmam que o principal castelo de Lisboa foi construído na Idade Média e reconstruído quase em sua totalidade pela última vez no início do século XX. Imperdível e proporciona uma visão única da cidade.

Chiado – um dos bairros lisboetas mais tradicionais, o Chiado voltou a ser um importante centro de comércio de Lisboa, sendo uma das zonas mais cosmopolitas e movimentadas da cidade, e abriga pontos turísticos obrigatórios como o Largo do Carmo e o Teatro da Trindade.

Praça do Rossio – também chamada de Praça Dom Pedro IV, reúne diversas cafeterias e restaurantes ao seu redor, e tem um chão de ladrilhos portugueses bem charmoso, o que torna a praça uma das mais bonitas da capital.

Rua rosa – talvez a mais famosa na noite lisboeta, essa rua concentra bares de diversos tipos. Aqui não deixe de conhecer o MusicBox, Jamaica, Viking e Pensão Amor. A rua, que antigamente era ponto de drogas e prostituição com movimento intenso de marinheiros, foi recentemente revitalizada, teve seu chão pintado de rosa, e se tornou um ponto descolado e imperdível de ser conhecido.

LX Factory – esse complexo industrial histórico abriga galerias de arte, lojas conceito e bares e restaurantes modernos bem bacanas. A dica é visitar no fim do dia para um happy hour ou à noite para tomar bons drinques.

Mercado da Ribeira – inaugurado em 1882, o mercado reúne o melhor da gastronomia portuguesa em 30 restaurantes que ficam espalhados em um complexo de 3.000 metros quadrados e 500 lugares.

Sintra – dedique ao menos dois dias para conhecer essa vila encantadora dividida em 11 freguesias. Era nessa região onde a realeza portuguesa tirava as férias. Sintra reúne várias paisagens inesquecíveis e românticas, e é de fácil acesso para quem se hospeda em Lisboa, com vários horários de trens e a viagem dura cerca de 45 minutos. Tem diversos palácios e castelos, e não deixe de visitar aqui o Castelo dos Mouros, a Quinta da Regaleira e o Palácio da Pena.

Porto – vale muito a pena passar ao menos três dias em uma das cidades mais charmosas de Portugal. Porto, que deu o nome ao país, é a segunda maior cidade portuguesa, foi fundada em 1123 e hoje é uma cidade de global. Com uma população com cerca de 250 mil pessoas, Porto também é exemplo quando o assunto é mobilidade urbana e é a única região do país que mais exporta do que importa produtos em geral. Também tem fácil acesso à capital, com diversas conexões de trens diariamente. Não deixe de conhecer aqui às margens do Rio Douro, a Vila Nova de Gaia, o Cais de Gaia, as caves de vinhos do Porto, a Estação de Trem São Bento, a Catedral Sé do Porto, os deliciosos restaurantes da Ribeira, a Torre dos Clérigos, a Livraria Lella, e é claro, a Ponte de Dom Luís, projetada por Gustave Eiffel.

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