Camboja: porque conhecer Angkor Wat vai mudar a sua vida

Gostava de estar lá e sentia que precisava estar. Pensava que os humanos tem uma necessidade intrínseca em acreditar, precisam acreditar, e atualmente, acreditavam em qualquer coisa. Como estrangeiro, isso indicava que ele não era lá muito atencioso e crente, então decidiu seguir acreditando em si mesmo. Afinal, acreditar em si é mais importante que acreditar em qualquer outra coisa.

Sonhou com ele essa noite, fazia anos que não acontecia. Por mais estranho que fosse o sonho, gostou porque assim podia lembrar da voz, as vezes tinha medo de esquecer do tom de voz ou das feições do velho. Parou para pensar onde ele estaria agora em meio à pandemia mundial, o impetuoso médico da família e da comunidade. Provavelmente teria torna-do a clínica particular em algum posto aberto de acolhimento e orientação, aquele socialista veterano. Sentia falta do pai e sabia que sempre sentiria.

Queria que ele visse tudo aquilo, queria que todos que amava vissem. Que sentissem a energia daqueles templos milenares, que fossem recarregados por aquela força que pulsava entre o povo e as ruínas das construções daquele país. Perguntou ao pó que levantava com a passagem dos automóveis, a maioria deles tuk tuks, se havia chance de levar um pedaço daquela terra com ele para sempre. Não obteve resposta. Quem cala, consente.

Era a terceira carta que escrevia com o mesmo teor para seu conterrâneo e ainda assim o coração caia em pedaços para fora do peito quando o fazia. Talvez porque no fundo saberia qual resposta iria obter, todos reagiam de forma semelhante, herdeiros, políticos, trabalhadores. Não importava a bondade altruísta que pregavam socialmente, era como se o estigma esclarecesse certa verdade obscura sobre eles. Eram poucos os verdadeiros guerreiros semelhantes que conhecia, e quando os conhecia, acabava se apaixonando. Sempre acreditavam na luta. Havia algo de especial nisso. Como estrangeiro vindo de outras terras, sabia que eles quem iriam sobreviver no final.

Ele também havia sobrevivido há muito nos últimos anos. Conheceu dezenas de culturas, trocou ideias com pessoas de diferentes lugares do mundo e não aprendeu a dar menos importância para o amor. Por que não conseguia deixar de acreditar na maior força do mundo? Corria por todos os continentes para tentar encontrar algo raro, algo que talvez não existisse mais. E ele sabia disso, parecia gostar de caminhar no tênue limiar da autoenganação.

Se encontrar ou perder o amor é o eixo definidor da própria cultura humana, estava cansado de ser humano e habitar aquele corpo. Ou cansado de tentar ser, porque quanto mais tempo vivia, mais deslocado sentia-se. E se amar fosse exercer a solidão compartilhada, iria seguir acostumado com a solitude para retornar ao seu antropocentrismo: menos de doar para menos de doer.

Seria assim daqui para a frente, não o amor em seus parâmetros comuns, mas o amor ao próximo, independente de quem for. Lá estava ele de volta quebrando seu próprio lema sem ao menos deixar passar um parágrafo depois. É necessário sentir o amargo para reconhecer o doce e todo conhecimento genuíno tem origem na experiência direta. Por isso, pragmático, aprendeu que se o destino o lançava uma faca, havia duas maneiras de apanhá-la: pela lâmina ou pelo cabo.

Homens fortes criam tempos fáceis e tempos fáceis geram homens fracos, mas homens fracos criam tempos difíceis e tempos difíceis geram homens fortes”.

Provérbio oriental

SABIA QUE? reconhecido também como Reino do Camboja, o país localizado no Sudeste Asiático atualmente tem o budismo como principal religião, mas já teve muitos reis hinduístas, alternância esta que marcou sua história política de forma contundente - é muito comum, por exemplo, nos templos do Camboja observar estátuas de Buda com cabeças cortadas, pois toda vez que um rei hindu assumia o posto mandava destruir as mesmas. Com mil anos de guerras em sua história, principalmente no último século com uma guerra civil exaltada pelo violento exército Kmer vermelho, que matou mais da metade da população e fez 2 milhões de escravos de 1975 a 1990, o Camboja desde então funciona sobre o regime de monarquia constitucional e tem como a sua capital a cidade de Phom Penh, que é o centro econômico do país, mas a cidade mais visitada do país é Angkor, que tem tanta importância na história da nação que seu principal templo, Angkor Wat, está presente na bandeira do Camboja. Repleto de templos milenares, é visitada por milhares de turistas ao ano. Atualmente, o país cresce cerca de 6% PIB (Produto Interno Bruto), mas ainda é muito subdesenvolvido, com uma população repleta de carências sociais. Vale lembrar, também, que a página virtual do Portal Consular do Ministério das Relações Exteriores faz um alerta aos brasileiros que estão viajando para o Camboja, especialmente àqueles que visitarão as províncias de Siem Reap, Battambang, Banteay Meanchey, Kampong Thom e Pursat. Segundo o órgão, "no campo e em regiões de florestas, existe o perigo de minas e bombas que não explodiram" portanto, "turistas não devem caminhar em áreas de florestas nem em campos de arroz sem a companhia de guias locais”. As minas são consequências das guerras provocadas pelo exército Khmer Vermelho, ou seja, mais de 30 de guerras entre governos e facções, e estudos apontam que o Camboja ainda tem seis milhões de minas terrestres em seu território, o que resulta em cerca de três minas por habitantes. Então procure se aventurar nessas regiões apenas em espaços reconhecidos ou acompanhado de guias turísticos. A língua oficial do Camboja é o Khmer e a moeda o Riel.

VOCÊ PRECISA CONHECER:

Sieem Reap - capital turística do Camboja com centenas de restaurantes e hotéis, é onde a maioria dos visitantes do país costumam se hospedar para conhecer os templos históricos e milenares. A cidade é a porta de entrada para as ruínas de Angkor, sede do reino do Khmer entre os séculos 9 e 15. O enorme complexo de edifícios de pedra de Angkor inclui o preservado Angkor Wat, o templo principal, que é representado na bandeira do país. Em Siem Reap, quem não mora lá está visitando para conhecer os templos, por isso a cidade é toda voltada para eles. Mas além desses espaços sagrados, há outros programas interessantes a se fazer, indico um espetáculo da companhia Phare Ponleu Selpak, um dos grupos mais famosos da cidade, que contribui tirando jovens da rua e os iniciando na vida artística. O resultado, além da transformação social, são shows ricos e memoráveis. Para programação noturna, vá a Pub Street, uma das ruas mais movimentadas da região turística da cidade, repleta de bares, restaurantes e lojinhas, onde é possível encontrar os famosos chopes a US$ 0,50. Entre as opções de o que fazer em Siem Reap também consta Night Market: os mercados noturnos são típicos nas cidades asiáticas, tanto que, se passar pela Tailândia antes, certamente terá visitado algum. Nesse emaranhado de barraquinhas, você achará desde presentinhos até comidas tradicionais cambojanas. Durante o dia, destaque para a área da Kandhal Village, repleta de lojinhas de artesanatos bonitos e baratos.

Angkor Wat - é o maior templo religioso do mundo. Angkor Wat faz parte do complexo de templos construídos na zona de Angkor, a antiga capital do império Khmer a sua época de esplendor, entre os séculos IX e XV. Angkor abrange uma extensão em torno de 200 km², embora recentes pesquisas estimem uma extensão de 3 000 km² e uma população de até meio milhão de habitantes, o que o tornaria o maior assentamento pré-industrial da humanidade. Era a capital do império, mas decaiu após sucessivos ataques de povos vizinhos. Hoje, tomado pela natureza, com gigantescas árvores laçando suas raízes sobre as ruínas, ainda serve de casa para monges budistas. O visual excêntrico e a energia diferenciada do local inspiraram até cenário de filme. Especificamente, o templo Ta Prohm, localizado no complexo apareceu no filme “Tomb Raider”, estrelado por Angelina Jolie em 2001. Para visitar Angkor, patrimônio da humanidade pela Unesco (Organizações das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) é necessário comprar ingressos que podem ser no modo passaporte (1 dia: US$ 40, 3 dias: US$ 62, que é o mais indicado porque 1 dia é pouco, 7 é demais, e 7 dias: US$ 72). No complexo Angkor, dezenas de templos trazem características e diferentes histórias da cultura asiática, em alguns deles inclusive as histórias estão esculpidas - faces gigantes e misteriosas estão esculpidas no templo de Bayon, por exemplo (são mais de 200 delas). Angkor Wat é o expoente máximo da arquitetura do império Khmer, cujos primeiros templos remontam a arquitetura asiática do século VI. Após séculos de alternância de poder entre reis, Angkor foi abandonada no final do século XVI, e ficou sepultada pela selva, com a única exceção do templo de Angkor Wat, que permaneceu habitado por monges budistas - ainda persiste a lenda de que Angkor Wat caiu até ser redescoberta no final do século XIX por franceses. Visitar o complexo de templos cambojanos é uma experiência espiritual e intelectual indicada a qualquer um que queira evoluir como viajante do mundo e ser humano.

Phon Penh - cidade que foi registrada oficialmente em 1372 e estabelecida como capital em 1865, Phnom Penh, a atribulada capital do Camboja, fica na junção dos rios Mekong e Tonlé Sap. Ela foi centro tanto para o império Khmer quanto para os colonialistas franceses. Na orla da margem do rio, repleta de parques, restaurantes e bares, estão o palácio real, o pagode de prata ornamentado e o museu nacional, mostrando peças de todo o país. No coração da cidade está o imenso mercado central em art déco. A cidade ficou conhecida como a "Pérola da Ásia" na década de 1920, sendo considerada um dos principais símbolos da Indochina francesa. Atualmente, há uma série de edifícios da época colonial francesa espalhados ao longo das grandes avenidas da cidade. Em seus anos de história, Phnom Penh foi saqueada e invadida pelos tailandeses, ocupada pelos japoneses na Segunda Guerra Mundial, sofreu efeitos diretos da Guerra do Vietnã e foi o local central das ações políticas do regime do Khmer Vermelho.

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